A Primeira Turma do STF condenou a cabeleireira Débora Rodrigues dos Santos a 14 anos de prisão por ter pichado a frase "Perdeu, mané" na estátua da justiça, em frente ao prédio da Corte. Ela foi condenada pelos crimes de tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, associação criminosa, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado. Três dos cinco ministros da Primeira Turma votaram pela pena máxima. Alexandre de Moraes, relator do caso, e os ministros Flávio Dino e Cármen Lúcia foram favoráveis aos 14 anos de reclusão.
O ministro Luiz Fux abriu divergência e defendeu uma punição menor, de 1 ano e 6 meses, que poderia ser convertida em medidas alternativas à prisão, além de multa. Fux condenou Débora apenas pelo crime de deterioração de patrimônio tombado. O ministro Cristiano Zanin, também divergiu da pena. Ele ponderou que Débora é ré primária e confessou o crime, por isso, sugeriu uma pena intermediária de 11 anos de prisão.
O julgamento teve início em março, com a apresentação do voto de Alexandre de Moraes, que propôs também o pagamento de 30 milhões em indenização por danos morais coletivos, a serem cumpridos em conjunto com outros condenados pelos eventos de 8 de janeiro. O caso teve muita repercussão após deputados irem ao Supremo para pedir a redução das penas como forma de achar um meio termo para tentar frear o projeto da anistia. Após o pedido de vista do ministro Luiz Fux, o julgamento foi retomado nesta sexta-feira, em plenário virtual.


