A pandemia atrasou a chegada da nova Toyota Hilux ao Brasil, mas a novidade já estreou na Austrália, um de seus maiores mercados, onde pudemos avaliar a versão SR5+ — configuração equivalente à SRV no Brasil. Mas com concorrentes de peso recentemente atualizados, incluindo as novas Chevrolet S10 e Mitsubishi L200, será que a japonesa fez o suficiente nesse facelift para manter a Hilux na liderança do segmento?
A linha Hilux na Austrália é bem extensa. Não há apenas cabine dupla ou câmbio automático, caso de outras concorrentes. Por lá existem opções até de cabine estendida, mas por aqui a gama continuará restrita a chassi-cabine, cabine simples e dupla, sendo 4x2 ou 4x4 com reduzida.
A versão testada, SR5+ cabine dupla automática, é cara: custa AUD 62.420, pouco mais de R$ 250 mil pelo câmbio atual (a SRV CD 4x4 é vendida hoje por R$ 209.190), e isso sem contar os chamados custos de rodagem (obrigatórios na Austrália para rodar com o veículo), que incluem entrega, documentação e imposto anual. Com isso, a expectativa é de que o comprador não gaste menos de AUD 68 mil (cerca de R$ 272 mil). Ou seja, o aumento dos valores da picape no país com o facelift ficou entre R$ 11 mil e R$ 13 mil, dependendo da versão.
Quer saber o que você recebe nas opções SR5 e SR5+? A de entrada traz faróis de LED, rodas aro 18, santantônio, GPS, rádio digital e volante e manopla do câmbio revestidos de couro. Há ainda ar-condicionado (de apenas uma zona), partida por botão e chave inteligente.
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Culpa da Pandemia: Estreia no Brasil estava prevista para agosto, mas a Covid-19 atrasou os planos — Foto: Divulgação
Ao escolher a SR5+, por AUD 2.500 (R$ 10 mil) a mais, adicionam-se assentos dianteiros com aquecimento (que devem ficar de fora da versão brasileira), ajuste elétrico para o motorista e revestimento de couro. Mesmo na mais completa não há retrovisor eletrocrômico ou ajuste elétrico do banco do passageiro. E no quesito segurança faltam alguns itens presentes em rivais.
O problema que ocorre com os modelos SR5 é que não há aquele fator “uau” encontrado em concorrentes de topo: a picape não é considerada rival de uma Ford Ranger Wildtrak, por exemplo, por ser bem mais simples.
O visual, entretanto, agora se destaca na multidão, bem mais que o estilo cansado das antecessoras. Ainda assim, no que tange a chamar a atenção, a SR5 não é tão impressionante. E por fora não dá para diferenciá-la da SR5+, mais cara.
A Toyota Austrália afirma que a Hilux com facelift está “mais bonita” que nunca. A grade ficou mais agressiva, os faróis são mais belos e o estilo é mais “macho” que o de antes. Parece mais com picapes duronas como a Tacoma e a 4Runner vendidas nos Estados Unidos.
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Toyota Hilux - A nova central multimídia ficou melhor e agora tem espelhamento com smartphones — Foto: Divulgação
E quão prática ela ficou por dentro? Se sua preferência são as centrais multimídia sensíveis ao toque, essa notícia é para você. Agora está disponível uma nova tela de 8 polegadas e há tecnologia de espelhamento com smartphones Apple CarPlay e Android Auto com fio.
Ainda mais animador: há botões físicos nos dois lados da interface, além de botões de aumento de volume e para sintonizar as estações. É bem mais fácil de usar que o sistema anterior. Outra boa novidade nas SR5 e SR5+ é a manutenção do GPS nativo, bem como do rádio AM/FM. Nada de CD player, porém.
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A nova tela no quadro de instrumentos pode indicar o ângulo das rodas dianteiras, recurso útil no off-road — Foto: Divulgação
O design do painel de instrumentos, com moldura parecida com engrenagens, novos mostradores e tela digital de 4,2” com computador de bordo detalhado, é outro destaque.
Armazenamento é mais um ponto forte da cabine. Há porta-luvas duplo, porta-copos embutido no painel, outros porta-copos entre os bancos e porta-objetos em frente à alavanca de câmbio e entre os assentos (esse último tem até uma tomada de 220 Volts). Na traseira, porta-copos no apoio de braço dobrável, bolsos para mapas e ganchos para sacolas de compras. Todas as portas possuem espaço para garrafas.
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Por aqui a Hilux continuará usando cabos para sustentar a tampa da caçamba — Foto: Divulgação
No entanto, muitas outras coisas poderiam ser melhores. O estilo da cabine não mudou muito e parece meio envelhecido. E o painel com efeito de costura falsa sobre o plástico duro não denota a nobreza de um carro caro como a SR5, algo decepcionante.
Quer dizer, mesmo que você inclua acabamento de couro e aquecimento dos bancos na versão SR5+, ainda não terá o mesmo fator “uau” da Wildtrack — que traz um design totalmente diferente das demais Ranger.
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A versão australiana inclui acessórios interessantes, como um apoio extra para facilitar o acesso à caçamba — Foto: Divulgação
O volante revestido de couro da picape é grosso, enquanto os botões priorizam a função em relação à forma, e não têm nada de especial. Mesmo o aquecimento dos bancos é apenas ligado/desligado; não há ajustes de diferentes graus de temperatura.
O sistema de ar-condicionado destoa do segmento por não ter ajuste de duas temperaturas e, apesar de haver saídas de ventilação para os passageiros de trás, o espaço traseiro não é tão bom quanto o dos rivais. Com minha altura de 1,82 m, meus joelhos ficaram apertados, assim como minha cabeça.
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Picape recebeu alterações em faróis, grade, para-choque, estribos e rodas, mas direção não é tão precisa no asfalto e faltam equipamentos de segurança presentes nas rivais — Foto: Divulgação
Reportagem produzida por Matt Campbell, do Carsguide, com tradução de Thais Villaça


