A pandemia veio e com ela, além de muitas mortes e sofrimento, a necessidade de adaptação do modo de se viver em sociedade. Com os membros da congregação Testemunhas de Jeová, conhecidos pelo trabalho de evangelização feito de porta em porta, não foi diferente.
Desde o anúncio do período de quarentena no Brasil, em março de 2020, esse trabalho passou a ser realizado a distância. Ligações, cartas e e-mails foram os meios adotados para prosseguir com as atividades sem comprometer a saúde.
O porta-voz da congregação no Estado, Alex Carvalho de Oliveira, de 35 anos, que faz parte há mais de 20 anos, conta que até mesmo os encontros entre os membros passaram a ser feitos por videoconferência.
“Hoje, a gente tem utilizado alguns aplicativos como o Zoom e o Team para realizar nossas reuniões. A cada reunião é gerado um link, que é enviado para todos das congregações. Eles acessam do seu próprio lar, no conforto da sua casa e com toda segurança”, disse.
Segundo Alex, que também é porta-voz da congregação em Rondônia e Acre, o trabalho de evangelização mudou para garantir a segurança dos membros da igreja.
“Antes de acontecer a pandemia, tínhamos por hábito ir de casa em casa, um trabalho realizado diariamente, em horários variados”, contou.
“Com a pandemia tivemos que nos adaptar. Foi criada uma nova modalidade para continuar ajudando as pessoas com as mensagens”, disse.
Evangelização por telefone
No caso das ligações, são discados os números de forma aleatória. “A gente digita o número no celular, não sabemos quem vai atender a ligação''.
Quando alguém do outro lado da linha responde, o trabalho se inicia. Primeiro uma breve apresentação, explicando do que se trata o contato. Logo a dupla - pois as ligações são sempre feitas por dois membros - solicita a permissão para realizar uma leitura bíblica.
A receptividade tem surpreendido quem realiza o trabalho. Diferente do contato feito porta a porta, em que algumas pessoas se negavam a ouvir os membros, durante as ligações o tratamento é outro.
“Dificilmente alguém age de forma grosseira, mal educada, muitos ficam felizes quando ouvem uma leitura de um texto da bíblia, que traz esperança ou um pouco de conforto e consolo nesse momento”, afirmou o porta voz.
Aqueles que não podem atender quando os membros entram em contato, muitas vezes marcam um horário para que retornem a ligação. Outros solicitam ainda as ações posteriores à chamada, como participar de estudos bíblicos - oferecidos gratuitamente.
Já as cartas são enviadas tanto para familiares e amigos, quanto deixadas nas portarias e recepções de condomínios, lugares que antes os membros não tinham acesso.
Crianças também podem participar da ação, sempre supervisionados pelos pais.
O material enviado para quem se interessa pelo assunto atende pessoas de distintas idades. “Temos muitas publicações que tratam de assuntos diversos, para a família, para adolescentes, para casais, são várias modalidades”, explicou.
Segundo ele, por ser pela internet ou telefone, o modelo de trabalho não se restringe a Mato Grosso.
“Está acontecendo não só em nível nacional, como também mundial. Hoje, todas as Testemunhas de Jeová espalhadas pelo mundo estão fazendo essa mesma modalidade de trabalho”, afirma Alex.
“Para nós, uma das principais preocupações é com a saúde e o bem estar das pessoas. Não queremos de maneira alguma que nossos irmãos, nossos membros aqui da organização, sofram com algum problema relacionado a Covid”.
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A recepção e os números de pessoas atendidas, apesar de ainda não catalogados, têm deixado os membros satisfeitos. “A gente fica feliz de poder ajudar tantas pessoas como hoje tem acontecido'', disse Alex.
“Acredito que essa modalidade de ajudar as pessoas por telefone deve durar por muito tempo, meio que antes nós não usávamos com tanta frequência”.


