Quinta-feira, 24 de setembro de 2026

Trabalhador morre baleado dentro de propriedade rural após discussão sobre pagamento de diárias em Nova Bandeirantes

Segundo as informações registradas no boletim de ocorrência, a vítima havia sido contratada aproximadamente uma semana antes para trabalhar na propriedade recebendo por diária.

Trabalhador morre baleado dentro de propriedade rural após discussão sobre pagamento de diárias em Nova Bandeirantes

Suspeito afirmou que efetuou os disparos após a vítima, supostamente armada com uma faca, entrar em seu quarto; Polícia Civil e POLITEC investigam o caso

Um trabalhador morreu após ser atingido por disparos de arma de fogo durante uma ocorrência registrada na noite de terça-feira (22 de setembro de 2026), em uma propriedade rural de Nova Bandeirantes, no norte de Mato Grosso.

A ocorrência foi comunicada à Polícia Judiciária Civil (PJC) por volta das 21h30, depois que o proprietário da fazenda informou que um de seus funcionários estaria morto no local.

Segundo as informações registradas no boletim de ocorrência, a vítima havia sido contratada aproximadamente uma semana antes para trabalhar na propriedade recebendo por diária.

Discussão teria começado por causa das diárias

Conforme relatado pelo proprietário da fazenda à Polícia Civil, ele estava em Alta Floresta quando, por volta das 21h15, recebeu uma ligação do suspeito.

Na ligação, o homem teria informado que a vítima estava alcoolizada, reclamava do valor das diárias e manifestava a intenção de receber o pagamento e deixar a propriedade.

O proprietário então teria providenciado uma carona para a vítima na manhã seguinte, com destino à cidade, e comunicado tanto ao suspeito quanto ao trabalhador sobre a programação.

Na propriedade estavam o suspeito, a vítima e outro trabalhador, que posteriormente foi ouvido como testemunha.

Ainda conforme o relato, o proprietário orientou o suspeito a permanecer em seu quarto para evitar que os ânimos se exaltassem.

Suspeito diz ter atirado em legítima defesa

Por volta das 21h49, o proprietário recebeu uma mensagem do suspeito informando que a vítima teria entrado em seu quarto portando uma faca.

Segundo a versão apresentada pelo suspeito, diante da situação ele teria efetuado disparos de arma de fogo para se defender, atingindo a vítima, que morreu no local.

A dinâmica exata do confronto, entretanto, ainda será investigada pela Polícia Civil.

POLITEC encontra faca junto ao corpo

Como a propriedade rural possui localização de difícil acesso, a equipe policial aguardou a chegada da Perícia Oficial e Identificação Técnica (POLITEC) de Alta Floresta para realizar o deslocamento até a fazenda.

As equipes chegaram à propriedade aproximadamente às 04h20 da madrugada de quarta-feira (23).

A residência estava aberta e com as luzes acesas. A vítima foi encontrada caída no quarto, logo após a porta, apresentando perfurações compatíveis, inicialmente, com disparos de arma de fogo.

Durante o trabalho pericial, foi localizada uma faca de cozinha na mão esquerda da vítima, que foi apreendida para análise.

Também foram recolhidos dois projéteis de chumbo e uma cápsula deflagrada, materiais que deverão auxiliar na investigação da dinâmica dos fatos.

Identificação da vítima ainda precisava ser confirmada

Um detalhe chamou a atenção dos investigadores: nos pertences encontrados havia documentos pertencentes a duas pessoas diferentes.

Por esse motivo, naquele momento não foi possível confirmar oficialmente a identidade da vítima. A equipe policial registrou que, pela quantidade de documentos encontrados, havia a suspeita de que se tratasse de Adriano Gaspar de Oliveira, informação que ainda dependia de confirmação oficial.

O corpo foi recolhido pela POLITEC e encaminhado para Alta Floresta, onde seriam realizados os exames de necropsia e demais procedimentos de identificação.

Testemunha relata consumo de cachaça e discussão

Durante os trabalhos periciais, o outro trabalhador que estava na propriedade se apresentou às equipes policiais.

Em depoimento, ele contou que os trabalhadores estavam preparando a carne de um porco abatido naquele dia.

Segundo a testemunha, o suspeito estava ingerindo cachaça e teria oferecido uma garrafa aos demais trabalhadores.

Ainda conforme o relato, após o consumo da bebida, a vítima teria iniciado uma discussão com o suspeito relacionada ao valor das diárias.

A testemunha afirmou ter visto o suspeito entrar em seu quarto e, algum tempo depois, a vítima também teria entrado na residência. Entretanto, segundo o próprio depoimento, ele estava do lado de fora e não conseguiu observar o momento exato em que ocorreram os disparos.

Investigação deverá esclarecer o que aconteceu

Após a conclusão da perícia, o corpo foi encaminhado para os procedimentos legais e a equipe da Polícia Civil retornou à delegacia levando os materiais apreendidos e a testemunha, que permaneceu à disposição da autoridade policial para prestar esclarecimentos.

A investigação deverá esclarecer como ocorreu a entrada da vítima no quarto, a sequência da discussão, a dinâmica dos disparos e as circunstâncias em que ocorreu a morte.

A versão apresentada pelo suspeito de que teria agido em legítima defesa será analisada pelas autoridades juntamente com os depoimentos, vestígios encontrados no local, exame de necropsia e demais elementos produzidos durante a investigação.

Até a conclusão das apurações, não é possível afirmar, com base apenas no boletim de ocorrência, a responsabilidade criminal ou a dinâmica definitiva do caso.

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