Três empreendedores investiram o equivalente ao valor de um Fusca cada um para tirar do papel um sonho que se transformaria em uma gigante mundial dos motores elétricos. Fundada em Jaraguá do Sul, no Norte de Santa Catarina, em 1961, a WEG começou como uma pequena fabricante de motores e ampliou os negócios ao longo das décadas, passando a atuar em diferentes segmentos industriais e a conquistar mercados internacionais.
A história começou em abril daquele ano, quando surgiu a ideia de criar uma empresa para fabricar motores elétricos. Em 16 de setembro, Werner Ricardo Voigt, Eggon João da Silva e Geraldo Werninghaus fundaram a Eletromotores Jaraguá, com capital social inicial de Cr$ 3.600.
Os três reuniam experiências diferentes que se complementavam. Werner era eletricista, Eggon atuava na administração e Geraldo era mecânico. A combinação de conhecimentos técnicos e capacidade de gestão deu origem ao negócio que, posteriormente, passou a se chamar WEG, nome formado pelas iniciais dos fundadores.
Em 16 de setembro, Werner Ricardo Voigt, Eggon João da Silva e Geraldo Werninghaus fundaram a Eletromotores JaraguáFoto: WEG/Divulgação/ND MaisPrimeiros passos e expansão industrial
Em 1964, a empresa comprou um terreno e iniciou a construção do Parque Fabril I. No mesmo ano, começou a fabricar no local. Quatro anos depois, em 1968, os fundadores criaram o CENTROWEG para capacitar os colaboradores. Na época, a região não oferecia treinamento técnico suficiente para atender às necessidades da indústria. A escola também passou a incentivar talentos e aproximar adolescentes do universo da tecnologia.
Em 1964, a empresa comprou um terreno e iniciou a construção do Parque Fabril I. No mesmo ano, começou a fabricar no localFoto: WEG/Divulgação/ND MaisA expansão para outros países começou em 1970, quando a empresa iniciou as exportações para Guatemala, Uruguai, Paraguai, Equador e Bolívia. Em 1971, as ações da WEG entraram na Bolsa de Valores. O crescimento da produção levou a novos investimentos. Em 1973, a companhia comprou o terreno do Parque Fabril II e iniciou a construção da fábrica. Naquele período, os motores já eram exportados para 20 países.
Em 1975, a empresa alcançou a marca de um milhão de motores produzidos. No ano seguinte, abriu um escritório na Alemanha por meio de uma parceria local com a Motores Jara. Em 1977, a WEG inaugurou o Parque Fabril II e produziu seu primeiro transformador de 10 mil kVA e 138 kV. O equipamento tinha 35 toneladas e 5,6 metros de altura e foi apontado como o maior produzido até então em Santa Catarina.
PUBLICIDADEDe fabricante de motores a fornecedora de soluções industriais
A partir da década de 1980, a WEG ampliou suas atividades. Além dos motores elétricos, passou a produzir componentes eletroeletrônicos, equipamentos para automação industrial, transformadores de força e distribuição, tintas líquidas e em pó e vernizes eletroisolantes em uma fábrica construída em Guaramirim em 1983. A diversificação ampliou a atuação da empresa, que deixou de se concentrar apenas na fabricação de motores e passou a fornecer sistemas elétricos industriais completos.
Em 1983, a WEG constrói uma fábrica de tintas em GuaramirimFoto: WEG/Divulgação/ND MaisNa década seguinte, a companhia intensificou a expansão internacional. Em 1991, inaugurou uma filial nos Estados Unidos. Em 1992, abriu uma fundição em Guaramirim, no Norte catarinense, considerada pela empresa uma das mais modernas da América Latina. No mesmo ano, estabeleceu a WEG Europe, na Bélgica, sua primeira filial comercial no continente europeu.
A expansão na Europa continuou em 1995, com a abertura de uma filial na Alemanha, e em 1998, com unidades na França, Espanha e Suécia. Em 1999, a WEG alcançou 79% de participação no mercado brasileiro de motores elétricos e exportava 29% da produção para cerca de 55 países.
Aquisições levam a empresa a novos mercados
A partir dos anos 2000, a WEG acelerou a expansão internacional por meio da compra de fábricas e empresas e da abertura de novas unidades industriais. No primeiro ano da década, adquiriu suas primeiras fábricas no exterior, na Argentina e no México. No ano seguinte, alcançou faturamento de R$ 1 bilhão em um único ano. Em 2002, comprou uma fábrica em Portugal e, em 2005, inaugurou sua primeira fábrica na China.
Em 2010, iniciou as operações fabris na Índia e adquiriu a Instrutech, empresa brasileira especializada em produtos e sistemas de automação industrial e comercial e de segurança. Também assumiu o controle acionário da Voltran e ampliou a rede de distribuição com aquisições na África do Sul e na Dinamarca.
Nos anos 2000, a WEG compra fábricas na Argentina, México e ChinaFoto: WEG/Divulgação/ND MaisNo ano seguinte, comprou a austríaca Watt Drive Antriebstechnik, especializada em redutores, motorredutores, inversores de frequência e sistemas de acionamento, além da norte-americana Electric Machinery, fabricante de motores, geradores e excitatrizes.
Em 2011, também inaugurou a WEG Índia, em Hosur, criou uma filial no Peru e inaugurou uma unidade em Linhares, no Espírito Santo. Em 2012, a empresa ampliou o portfólio com aquisições nos segmentos de componentes elétricos e tintas industriais. Na área de geração de energia, forneceu equipamentos com capacidade de 90 megawatts para um parque eólico no Nordeste brasileiro. Naquele ano, as vendas no mercado externo alcançaram 51% da receita operacional líquida da companhia.
WEG realiza expansão industrial em diferentes continentes
A sequência de aquisições continuou nos anos seguintes, com empresas de transformadores, subestações, motores especiais, painéis elétricos e componentes industriais. Em 2013, a WEG adquiriu uma fábrica de transformadores e subestações na África do Sul. Em 2014, comprou empresas na Alemanha, na Colômbia e na China, além de uma unidade de serviços de energia em Pernambuco.
Em 2015, a companhia adquiriu um negócio de fabricação de transformadores de alta tensão, minissubestações e disjuntores na África do Sul, além da Transformadores Suntec, na Colômbia, e da espanhola Autrial, fabricante de painéis elétricos.
WEG fundou parques fabris na Índia e na TurquiaFoto: india_turquiaA companhia já contava com parques fabris em 11 países, filiais comerciais em 28 países e mais de 31 mil colaboradores. Em 2016, adquiriu a norte-americana Bluffton Motor Works, fabricante de motores elétricos, e iniciou a construção de uma nova fábrica em Rugao, na China. No ano seguinte, comprou a fabricante brasileira de turbinas TGM e o negócio de transformadores da CG Power nos Estados Unidos.
Inteligência artificial e novos investimentos
Em 2020, a WEG adquiriu o controle de duas startups brasileiras: a BirminD, especializada em inteligência artificial aplicada à análise industrial, e a MVISIA, voltada a soluções de inteligência artificial e visão computacional para a indústria. No mesmo ano, comprou uma fábrica de transformadores e serviços de energia da TSEA, em Betim, Minas Gerais.
Em 2021, adquiriu a Balteau Produtos Elétricos, especializada em transformadores para instrumentos e conjuntos de medição, em Itajubá, Minas Gerais. Também inaugurou uma nova fábrica de transformadores nos Estados Unidos, criou uma unidade industrial na Turquia e abriu uma filial comercial na Polônia.
Empresa que começou em Jaraguá do Sul com o dinheiro de três Fuscas expandiu atuação em centenas de paísesFoto: WEG/Divulgação/ND MaisEm 2022, anunciou a construção de uma nova fábrica em Santo Tirso, Portugal, com investimento previsto de 23,5 milhões de euros. O projeto previa uma área de 22,6 mil metros quadrados para ampliar a produção de motores elétricos de grande porte e concentrar operações que já existiam no país.
No mesmo ano, a empresa anunciou uma joint venture com o Grupo Cevital para produzir e comercializar motores elétricos para lavadoras de roupa, com foco inicial na Argélia e no norte da África. Também adquiriu o negócio de Motion Control da italiana Gefran, fabricante de sensores, componentes e equipamentos de automação industrial.
Em 2023, a WEG anunciou um investimento de US$ 40 milhões para adquirir um novo terreno no México e comprou os negócios de motores elétricos industriais e geradores da Regal Rexnord. Também anunciou investimentos de R$ 1,2 bilhão para ampliar a capacidade de produção de transformadores.


