Segunda-feira, 17 de agosto de 2026

Wellington abre 11 pontos sobre Pivetta na largada da campanha em MT

Percent Brasil mostra candidato do PL com 32%, mas 24,5% dos eleitores ainda estão indecisos e disputa permanece aberta

Wellington abre 11 pontos sobre Pivetta na largada da campanha em MT

A campanha eleitoral de 2026 começou oficialmente neste domingo (16) em Mato Grosso com Wellington Fagundes (PL) na liderança da corrida pelo Governo do Estado e 11 pontos percentuais à frente de Otaviano Pivetta (Republicanos), segundo pesquisa Percent Brasil realizada entre os dias 7 e 10 de agosto. No cenário estimulado, quando os nomes dos candidatos são apresentados aos entrevistados, Wellington alcança 32% das intenções de voto, enquanto Pivetta registra 21% e Natasha Slhessarenko (PSD), 11%. Apesar da vantagem do candidato do PL, o levantamento revela um componente capaz de tornar a disputa muito mais dinâmica nas próximas semanas: 24,5% dos entrevistados permanecem indecisos mesmo diante da apresentação dos candidatos. A pesquisa está registrada na Justiça Eleitoral sob os números BR-01495/2026 e MT-03154/2026, conforme identificação do levantamento. Os números apresentam, portanto, a fotografia da largada oficial de uma eleição na qual existe um líder, mas uma parcela expressiva do eleitorado ainda poderá interferir diretamente na configuração da corrida pelo Palácio Paiaguás.

A dimensão da indefinição eleitoral fica ainda mais evidente quando a pesquisa espontânea é analisada. Nessa modalidade, em que o entrevistador não apresenta previamente os nomes dos concorrentes e pergunta diretamente ao eleitor em quem pretende votar, 72,4% não indicam candidato. A diferença em relação aos 24,5% de indecisos registrados na estimulada chega a quase 48 pontos percentuais e oferece uma leitura importante sobre o atual estágio da campanha: muitos eleitores conseguem escolher uma alternativa quando recebem a lista de concorrentes, mas ainda não incorporaram essa preferência de maneira suficientemente consolidada para mencionar espontaneamente determinado candidato. Isso não significa, necessariamente, que os 72,4% estejam completamente disponíveis ou possam migrar livremente entre as candidaturas. Parte desse contingente pode ter preferência eleitoral, mas ainda não memorizar ou declarar espontaneamente o nome escolhido. Ainda assim, o percentual demonstra que a campanha começa com enorme espaço para disputa por reconhecimento, convencimento e consolidação do voto.

Outro dado relevante da Percent Brasil está no comportamento dos três principais candidatos ao longo dos últimos levantamentos realizados pelo próprio instituto. Wellington, Pivetta e Natasha cresceram simultaneamente, sinalizando que, até agora, a movimentação eleitoral não ocorreu necessariamente por transferência direta de votos entre os adversários. Wellington passou de 27% em junho para 28% em julho e chegou agora aos 32%, acumulando avanço de cinco pontos percentuais. Pivetta saiu de 17,2% para 18,7% e alcançou 21%, crescimento de 3,8 pontos no período. Natasha apresentou proporcionalmente a maior evolução: tinha 5,9% em junho, subiu para 8,4% em julho e agora aparece com 11%, praticamente dobrando sua participação na série. A evolução conjunta sugere que parte dos eleitores que anteriormente permanecia sem definição começa gradualmente a identificar e escolher candidatos, fenômeno que tende a ganhar intensidade com a entrada definitiva da propaganda eleitoral, das mobilizações de rua, das entrevistas, dos debates e da comunicação digital.

A liderança de Wellington na Percent Brasil, entretanto, precisa ser interpretada dentro dos limites metodológicos de cada pesquisa. Levantamentos recentes realizados por outros institutos apresentaram distâncias diferentes entre os principais concorrentes. A Real Time Big Data, em pesquisa realizada entre 7 e 11 de agosto, registrou Wellington com 34%, Pivetta com 26% e Natasha com 13%, diferença de oito pontos entre os dois primeiros. Já o MT Dados, em levantamento feito entre 15 e 21 de julho, apresentou cenário tecnicamente muito mais equilibrado: Pivetta aparecia com 25,2%, contra 24,3% de Wellington, diferença inferior à margem de erro de três pontos percentuais, enquanto Natasha tinha 10,6%. O Instituto Mais, por sua vez, havia mostrado Wellington com 33% e Pivetta com 21%, em um cenário que ainda incluía Jayme Campos com 19%. Como metodologias, amostras, datas de campo e composição dos cenários podem variar, os resultados não devem ser reunidos como se integrassem uma única série histórica.

A largada oficial muda substancialmente o ambiente político. Desde este domingo, os candidatos podem intensificar a propaganda eleitoral, realizar caminhadas e mobilizações, ampliar a comunicação nas redes sociais e, sobretudo, pedir votos explicitamente, instrumentos que tiveram limitações durante a pré-campanha. É justamente nesse novo cenário que os 24,5% de indecisos da pesquisa estimulada e o elevado contingente da espontânea assumem importância estratégica. Para Wellington, a missão será preservar a vantagem registrada pela Percent Brasil e transformar liderança numérica em voto consolidado. Pivetta precisa ampliar sua capacidade de penetração no eleitorado para reduzir a diferença de 11 pontos apresentada pelo levantamento. Natasha, embora ainda distante dos dois primeiros colocados, entra na campanha sustentada por uma trajetória contínua de crescimento na série da Percent. Cada candidatura começa, portanto, com desafios diferentes, mas todas disputarão intensamente um eleitorado que demonstra ainda estar em processo de formação de preferência.

Os números da Percent Brasil revelam, assim, duas realidades simultâneas na largada eleitoral de Mato Grosso. Na primeira, Wellington Fagundes começa em posição privilegiada, com 32% e vantagem de 11 pontos sobre Pivetta. Na segunda, existe um eleitorado cuja decisão ainda está longe de parecer completamente cristalizada: quase um quarto permanece indeciso mesmo diante dos nomes, enquanto sete em cada dez entrevistados não mencionam espontaneamente um candidato. Essa combinação impede que a fotografia atual seja interpretada como uma eleição definida antecipadamente. Ao contrário, mostra que a campanha começa com liderança objetiva na estimulada, crescimento dos três principais concorrentes e amplo espaço para movimentações. A disputa das próximas semanas será justamente pela capacidade de transformar exposição em reconhecimento, reconhecimento em preferência e, finalmente, preferência declarada em voto efetivamente consolidado nas urnas.

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