Sexta-feira, 21 de agosto de 2026

A chapada do Mato Grosso com cachoeiras de queda livre, cavernas de arenito e paredões que levaram milhões de anos para se formar

A 65 km de Cuiabá, em pleno Cerrado mato-grossense, uma cidade a 811 metros de altitude concentra uma das paisagens mais impressionantes do Brasil. Chapada dos Guimarães reúne cachoeiras de queda livre, paredões de arenito avermelhado com mais de 400 milh

A chapada do Mato Grosso com cachoeiras de queda livre, cavernas de arenito e paredões que levaram milhões de anos para se formar
A 65 km de Cuiabá, em pleno Cerrado mato-grossense, uma cidade a 811 metros de altitude concentra uma das paisagens mais impressionantes do BrasilChapada dos Guimarães reúne cachoeiras de queda livre, paredões de arenito avermelhado com mais de 400 milhões de anos, cavernas de arenito e um centro histórico do século XVIII, tudo em raio curto de estrada.

O Parque Nacional protege 32 mil hectares de Cerrado preservado

A joia natural da região é uma unidade de conservação criada em 1989. O Parque Nacional da Chapada dos Guimarães, administrado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), ocupa 32.630 hectares entre os municípios de Cuiabá e Chapada dos Guimarães.

O parque protege ecossistemas do Cerrado, formações geológicas de mais de 400 milhões de anos e nascentes que formam a bacia do Rio Coxipó, responsável pelo abastecimento de Cuiabá e por parte das águas que alimentam o Pantanal. A sede da unidade fica a 13 km do centro urbano, com entrada gratuita e visitação diária das 9h às 16h.

A cidade que abriga paredões que chegam a 800 metros de altitude e belezas naturais de tirar o fôlego
Chapada dos Guimarães, MT, abriga Parque Nacional com Véu de Noiva, cachoeiras e sítios arqueológicos no coração do Cerrado brasileiro. // Créditos: Wikipédia

O que fazer em Chapada dos Guimarães?

As atrações se dividem entre o interior do parque nacional, propriedades particulares no entorno e o casario colonial da cidade. Um roteiro completo pede pelo menos três dias.

  • Cachoeira Véu de Noiva: cartão-postal da região, com 86 metros de queda livre formada pelo Rio Coxipozinho. O acesso é gratuito e uma curta trilha de 550 metros leva ao mirante.
  • Circuito das Cachoeiras: sequência de quedas dentro do parque, incluindo Cachoeira das Andorinhas, Prainha e Cachoeirinha, com pontos para banho.
  • Cidade de Pedra: formações rochosas de arenito esculpidas ao longo de milhões de anos, com paredões e mirantes espetaculares.
  • Caverna Aroe Jari: nome indígena que significa Morada das Almas, é a maior caverna de arenito do Brasil, com 1,5 km de extensão, entrada de 60 metros de largura e 10 metros de altura. Tem pinturas rupestres e trechos submersos.
  • Lagoa Azul: dentro do circuito da Aroe Jari, tem águas cristalinas onde feixes de luz solar formam a figura de uma ampulheta entre o teto e a água.
  • Caverna Kiogo Brado: na mesma trilha da Aroe Jari, com 764 metros de corredor interno e paredões de estratos musgosos.
  • Mirante Morro dos Ventos: a 1 km do centro, tem plataforma de aço fixada na rocha com vista panorâmica dos paredões vizinhos.
  • Mirante do Centro Geodésico: ponto simbólico com vista da planície pantaneira e até de Cuiabá ao entardecer.

O Centro Geodésico que na verdade fica em Cuiabá

Vale desfazer um dos mitos mais repetidos da região. O verdadeiro Centro Geodésico da América do Sul foi apurado em 1909 pelo marechal Cândido Rondon e está oficialmente em Cuiabá, não em Chapada dos Guimarães.

O que existe na Chapada é um mirante batizado com o mesmo nome, com vista privilegiada da planície pantaneira e da própria capital mato-grossense. A confusão persiste no imaginário turístico há décadas, e o local segue como parada obrigatória para o pôr do sol, embora o marco geodésico verdadeiro esteja alguns km abaixo, dentro da cidade vizinha.

O centro histórico e a igreja mais antiga do barroco mato-grossense

A cidade também guarda um patrimônio arquitetônico raro. Chapada dos Guimarães nasceu no século XVIII como missão jesuíta e recebeu o nome em homenagem à cidade portuguesa de Guimarães, berço da nacionalidade lusitana.

Igreja Matriz Santuário de Sant’Ana, construída em 1779 com taipa de pilão, é o último exemplar do barroco mato-grossense que segue de pé. Foi o primeiro monumento tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) no estado, em 1957. Seus azulejos portugueses chegaram da Bahia em lombo de mula, e o altar pintado a ouro segue conservado. O centro histórico tem cerca de 40 prédios tombados pelo IPHAN, e ao redor da praça principal ficam bares, restaurantes e lojas de artesanato instaladas em casarões coloridos.

Onde já houve mar e deserto: o lugar com 400 milhões de anos no Brasil onde pinturas rupestres e fósseis históricos se juntam no coração da América do Sul
Chapada dos Guimarães fascina com paredões imensos, trilhas mágicas e energia mística que renovam a alma no Centro Geodésico do Brasil! // Créditos: Wikipédia

Gastronomia pantaneira com peixes do Cerrado

A cozinha local segue a tradição do Mato Grosso, com forte presença de peixes de água doce. O pintado na brasa, o pacu assado e a caldeirada de peixes aparecem nos principais restaurantes do centro, servidos com farofa de banana e arroz carreteiro.

Aos fins de semana, a praça central concentra feiras de artesanato indígena, cachaças da região e doces de frutas do Cerrado como pequi, cagaita e buriti. Muitos restaurantes servem café da manhã caseiro com cuca, pães e biscoitos de queijo, tradição herdada dos imigrantes que ajudaram a colonizar a região no início do século XX.

Qual a melhor época para visitar Chapada dos Guimarães?

A altitude de 811 metros deixa a cidade alguns graus mais amena que Cuiabá. A estação seca é a preferida, com céu aberto e trilhas em plenas condições. O verão chuvoso enche as cachoeiras, mas pode trazer trombas d’água que interditam trilhas temporariamente.

Onde já houve mar e deserto: o lugar com 400 milhões de anos no Brasil onde pinturas rupestres e fósseis históricos se juntam no coração da América do Sul
Na Chapada dos Guimarães, trilhe até cachoeiras, visite grutas azuis e curta o clima fresco com vistas incríveis do MT. // Créditos: Wikipédia

Como chegar em Chapada dos Guimarães?

O acesso principal é pela MT-251 (Rodovia Emanuel Pinheiro), a partir de Cuiabá, em trajeto de cerca de uma hora de carro. O Aeroporto Internacional Marechal Rondon, em Várzea Grande, é o aeroporto mais próximo, com voos diretos das principais capitais brasileiras. Mais informações estão no site oficial da Prefeitura de Chapada dos Guimarães.

Leia também: A cidade gaúcha de 3 mil habitantes com uma praça de mais de 200 esculturas em ciprestes feitas a mão.

Suba a chapada e conheça o coração do Cerrado

Chapada dos Guimarães é o raro destino que combina em uma só viagem cachoeiras monumentais, cavernas milenares e casario colonial preservado. Poucas cidades do interior brasileiro reúnem tanta paisagem natural com infraestrutura turística consolidada a menos de uma hora de uma capital.

Você precisa passar alguns dias em Chapada dos Guimarães para entender por que os paredões vermelhos e o Véu de Noiva viraram o cartão-postal mais reconhecível do Mato Grosso.

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