O Parque Nacional protege 32 mil hectares de Cerrado preservado
A joia natural da região é uma unidade de conservação criada em 1989. O Parque Nacional da Chapada dos Guimarães, administrado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), ocupa 32.630 hectares entre os municípios de Cuiabá e Chapada dos Guimarães.
O parque protege ecossistemas do Cerrado, formações geológicas de mais de 400 milhões de anos e nascentes que formam a bacia do Rio Coxipó, responsável pelo abastecimento de Cuiabá e por parte das águas que alimentam o Pantanal. A sede da unidade fica a 13 km do centro urbano, com entrada gratuita e visitação diária das 9h às 16h.

O que fazer em Chapada dos Guimarães?
As atrações se dividem entre o interior do parque nacional, propriedades particulares no entorno e o casario colonial da cidade. Um roteiro completo pede pelo menos três dias.
- Cachoeira Véu de Noiva: cartão-postal da região, com 86 metros de queda livre formada pelo Rio Coxipozinho. O acesso é gratuito e uma curta trilha de 550 metros leva ao mirante.
- Circuito das Cachoeiras: sequência de quedas dentro do parque, incluindo Cachoeira das Andorinhas, Prainha e Cachoeirinha, com pontos para banho.
- Cidade de Pedra: formações rochosas de arenito esculpidas ao longo de milhões de anos, com paredões e mirantes espetaculares.
- Caverna Aroe Jari: nome indígena que significa Morada das Almas, é a maior caverna de arenito do Brasil, com 1,5 km de extensão, entrada de 60 metros de largura e 10 metros de altura. Tem pinturas rupestres e trechos submersos.
- Lagoa Azul: dentro do circuito da Aroe Jari, tem águas cristalinas onde feixes de luz solar formam a figura de uma ampulheta entre o teto e a água.
- Caverna Kiogo Brado: na mesma trilha da Aroe Jari, com 764 metros de corredor interno e paredões de estratos musgosos.
- Mirante Morro dos Ventos: a 1 km do centro, tem plataforma de aço fixada na rocha com vista panorâmica dos paredões vizinhos.
- Mirante do Centro Geodésico: ponto simbólico com vista da planície pantaneira e até de Cuiabá ao entardecer.
O Centro Geodésico que na verdade fica em Cuiabá
Vale desfazer um dos mitos mais repetidos da região. O verdadeiro Centro Geodésico da América do Sul foi apurado em 1909 pelo marechal Cândido Rondon e está oficialmente em Cuiabá, não em Chapada dos Guimarães.
O que existe na Chapada é um mirante batizado com o mesmo nome, com vista privilegiada da planície pantaneira e da própria capital mato-grossense. A confusão persiste no imaginário turístico há décadas, e o local segue como parada obrigatória para o pôr do sol, embora o marco geodésico verdadeiro esteja alguns km abaixo, dentro da cidade vizinha.
O centro histórico e a igreja mais antiga do barroco mato-grossense
A cidade também guarda um patrimônio arquitetônico raro. Chapada dos Guimarães nasceu no século XVIII como missão jesuíta e recebeu o nome em homenagem à cidade portuguesa de Guimarães, berço da nacionalidade lusitana.
A Igreja Matriz Santuário de Sant’Ana, construída em 1779 com taipa de pilão, é o último exemplar do barroco mato-grossense que segue de pé. Foi o primeiro monumento tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) no estado, em 1957. Seus azulejos portugueses chegaram da Bahia em lombo de mula, e o altar pintado a ouro segue conservado. O centro histórico tem cerca de 40 prédios tombados pelo IPHAN, e ao redor da praça principal ficam bares, restaurantes e lojas de artesanato instaladas em casarões coloridos.

Gastronomia pantaneira com peixes do Cerrado
A cozinha local segue a tradição do Mato Grosso, com forte presença de peixes de água doce. O pintado na brasa, o pacu assado e a caldeirada de peixes aparecem nos principais restaurantes do centro, servidos com farofa de banana e arroz carreteiro.
Aos fins de semana, a praça central concentra feiras de artesanato indígena, cachaças da região e doces de frutas do Cerrado como pequi, cagaita e buriti. Muitos restaurantes servem café da manhã caseiro com cuca, pães e biscoitos de queijo, tradição herdada dos imigrantes que ajudaram a colonizar a região no início do século XX.
Qual a melhor época para visitar Chapada dos Guimarães?
A altitude de 811 metros deixa a cidade alguns graus mais amena que Cuiabá. A estação seca é a preferida, com céu aberto e trilhas em plenas condições. O verão chuvoso enche as cachoeiras, mas pode trazer trombas d’água que interditam trilhas temporariamente.

Como chegar em Chapada dos Guimarães?
O acesso principal é pela MT-251 (Rodovia Emanuel Pinheiro), a partir de Cuiabá, em trajeto de cerca de uma hora de carro. O Aeroporto Internacional Marechal Rondon, em Várzea Grande, é o aeroporto mais próximo, com voos diretos das principais capitais brasileiras. Mais informações estão no site oficial da Prefeitura de Chapada dos Guimarães.
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Suba a chapada e conheça o coração do Cerrado
Chapada dos Guimarães é o raro destino que combina em uma só viagem cachoeiras monumentais, cavernas milenares e casario colonial preservado. Poucas cidades do interior brasileiro reúnem tanta paisagem natural com infraestrutura turística consolidada a menos de uma hora de uma capital.
Você precisa passar alguns dias em Chapada dos Guimarães para entender por que os paredões vermelhos e o Véu de Noiva viraram o cartão-postal mais reconhecível do Mato Grosso.


