Em meio à escalada das tensões geopolíticas no Oriente Médio, com o conflito entre Irã e Estados Unidos acirrando a corrida armamentista global, o Brasil deu um passo estratégico na modernização de sua defesa. O governo federal fechou a compra de 36 caças supersônicos F-39 Gripen, sendo 15 deles produzidos em solo nacional, em uma parceria que envolve transferência de tecnologia e fortalecimento da indústria aeroespacial brasileira.
O primeiro caça fabricado na linha de produção nacional foi entregue em 25 de março, no Aeródromo Embraer Unidade Gavião Peixoto, em São Paulo, com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Com o feito, o Brasil se tornou o primeiro país da América Latina a dominar o processo de produção de caças supersônicos.
Características dos caças F-39 Gripen
O F-39 Gripen representa uma nova geração de aeronaves de caça estratégica da FAB (Força Aérea Brasileira). O modelo combina desempenho de ponta, tecnologia avançada e elevada capacidade operacional, sendo projetado para missões de alerta, defesa e ataque.
O caça é equipado com sistemas de guerra eletrônica de última geração, radar de varredura eletrônica ativa e capacidade de integrar diferentes armas e sensores. Sua versatilidade permite operar tanto em missões de superioridade aérea quanto em ataques de precisão contra alvos terrestres e marítimos.
Transferência de tecnologia e empregos
O programa F-X2, um dos mais amplos já conduzidos pelo país na área de transferência de tecnologia, levou cerca de 350 engenheiros brasileiros à Suécia para capacitação avançada. A iniciativa também impulsionou a criação de aproximadamente 12 mil empregos, dois mil diretos e dez mil indiretos.
O ambiente industrial estabelecido fortalece a permanência de profissionais formados em centros de excelência, como o ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica), e amplia a autonomia nacional em setores estratégicos para a defesa.
A procuradora Suely Dib, que participou da negociação pela PGFN (Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional), explicou que o contrato de financiamento para a compra dos caças foi acordado em dezembro de 2014 e assinado em 26 de agosto de 2015 entre a República Federativa do Brasil e a AB SEK (Swedish Export Credit Corporation).
O contrato também foi aditado duas vezes, em 2018 e em 2025, “sempre representado pela PGFN”, segundo a procuradora.
O contrato de financiamento para a compra dos caças foi acordado em dezembro de 2014 e assinado em agosto de 2015 entre o Brasil e a Swedish Export Credit Corporation (AB SEK), sendo aditado em 2018 e 2025.
A iniciativa contempla não apenas a aquisição das aeronaves, mas também a capacitação da indústria nacional, com montagem final realizada na planta da Embraer.


