A brasileira Fernanda Santos, naturalizada espanhola, se tornou "a primeira mulher a entrar de moto no Afeganistão" de quem se tem registro em vídeo.
Casada com o espanhol Vicente Barberá, de 63 anos, com quem percorre o mundo sobre duas rodas, Fernanda, de 28, foi vista pilotando pelos desertos vazios do Afeganistão e até mesmo montando acampamento ao ar livre. A entrada no país, em que as mulheres têm direitos básicos vetados, foi documentada numa série de vídeos postada no YouTube nos últimos meses. Por onda passava, Fernanda chamava atenção exatamente por ser mulher pilotando uma moto — atividade proibida para afegãs.
Numa noite, em sua camas improvisada, Vicente disse à câmera:
Brasileira se torna 'a primeira mulher a entrar de moto no Afeganistão'
"Hoje foi intenso, como todos os dias no Afeganistão. Paramos para comer e um membro do Talibã (a milícia islâmica fundamentalista que controla o país da Ásia) com um pedaço de pau mandou a gente ir embora."
O casal postou vídeos em que aparecem cercados por moradores que os observavam enquanto tentam comer e outras atividades da viagem. Mais tarde, eles relataram o momento tenso em que chegaram a um posto de controle do Talibã. O dois foram separados e forçados a mostrar seus passaportes e vistos e temeram não poder seguir a jornada.
Eles foram detidos por um longo tempo e, ao partirem, notaram vários destroços de um carro, que eles notaram ter sido "bombardeado".
"Os talibãs violam o direito das mulheres à liberdade de circulação, proíbem-nas de exercer muitas formas de emprego, desmantelam proteções para mulheres e jovens vítimas de violência baseada em gênero, criam barreiras ao acesso aos cuidados de saúde e impedem-nas de praticar esportes e até visitar parques", diz um relatório da ONU apresentado no ano passado sobre o Afeganistão, onde meninas só podem estudar até a sexta série.
Drama na Índia
Fernanda viveu um drama na Índia no ano passado. Ela foi vítima de estupro coletivo. O casal tinha parado para passar a noite no distrito de Dumka, em Jharkhand. Lá, montaram acampamento, mas acabaram encontrados por um grupo de sete homens que atacou sexualmente Fernanda.
De acordo com a investigação do caso, sete agressores teriam usado um capacete e uma pedra para espancar Vicente, deixando sua "boca destruída", mas apenas três compareceram a um tribunal indiano.
Apesar da terrível provação, o casal insiste que a Índia é "um país maravilhoso e que vale a pena visitar" e que eles queriam continuar abraçando o seu "verdadeiro amor": viajar.
"Tivemos uma segunda chance, ainda estamos vivos, foi difícil, sim, mas ainda respiramos. Seguiremos em frente, seguiremos com nossas vidas, não fazer isso é deixar o mal vencer, e não vamos desistir. Continuamos a nossa jornada com mais entusiasmo do que nunca", postou o casal.
A brasileira recebeu em março do ano passado um cheque no valor de um milhão de rúpias indianas (cerca de R$ 61 mil) como indenização do governo indiano pelo caso.
Em sete anos de jornada, já foram visitados 73 países e percorridos 240 mil quilômetros pelo casal.


