Surpreendentemente, a técnica dispensa equipamentos caros e opera mesmo quando a pessoa não carrega nenhum telefone no bolso.
O método foi batizado como BFId e explora a comunicação padrão dos roteadores modernos. A experiência analisou 197 voluntários, formando o maior banco de dados já avaliado em testes desse tipo.
Dessa maneira, qualquer invasor posicionado no raio de alcance da rede pode capturar as informações no ar usando apenas um notebook comum, sem precisar da senha do Wi-Fi.
Como o recurso de direcionamento do sinal expõe a privacidade
A falha de segurança está ligada diretamente à tecnologia
beamforming, presente em aparelhos fabricados desde o padrão Wi-Fi 5, lançado em 2014. Essa ferramenta permite que o roteador direcione o sinal de forma concentrada para celulares e computadores conectados.
Para viabilizar esse ajuste fino, os aparelhos medem o canal sem fio e enviam relatórios frequentes de retorno para a base.
Entretanto, esse pacote de dados viaja pelo ar sem nenhum tipo de criptografia. Quando uma pessoa anda pelo cômodo, a massa do corpo bloqueia e altera a propagação natural das ondas eletromagnéticas.
Como resultado dessa barreira física, cada indivíduo gera uma distorção única no sinal, criando uma assinatura biométrica involuntária que pode ser lida à distância.
Imagens tridimensionais que atravessam paredes de alvenaria
Pesquisas anteriores dependiam de placas de rede antigas e modificadas para rastrear ambientes internos. Em contrapartida, o novo método supera limitações técnicas antigas porque aproveita o tráfego regular de todos os eletrônicos conectados ao mesmo tempo.
A compressão natural dos dados filtra ruídos do ambiente e reúne mais características espaciais, ampliando o nível de detalhe da captura.
Além disso, um único receptor externo capta a resposta de múltiplos aparelhos espalhados pelo imóvel.
Essa variedade de ângulos permite reconstruir a silhueta tridimensional do espaço, funcionando exatamente como uma câmera comum que troca a luz visível por ondas de rádio.
Por essa razão, a leitura atravessa paredes sólidas e ignora bloqueios visuais convencionais.
O risco prático atinge locais públicos e residências. Alguém caminhando pela calçada em frente a uma cafeteria com rede aberta pode ter seus passos monitorados sem desconfiar de nada.
Em áreas urbanas densas, essa brecha possibilita o rastreamento contínuo de pessoas por bairros inteiros, sem gerar registros digitais habituais.
Dificuldades para conter a brecha e impasses regulatórios
As tentativas de conter o problema esbarram em grandes dificuldades técnicas. Reduzir o envio dos relatórios de sinal não diminui a precisão do reconhecimento. Por outro lado, exigir a criptografia obrigatória desses dados quebraria a compatibilidade com bilhões de eletrônicos em uso no planeta.
Desligar o beamforming ou blindar os cômodos com gaiolas metálicas surge como alternativa, mas reduz a velocidade da navegação e traz transtornos na rotina.
Ao mesmo tempo, entidades internacionais regulamentaram a norma 802.11bf para monitorar presença e detectar quedas de idosos com Wi-Fi.
Todavia, a ausência de travas de privacidade pode acelerar a vigilância clandestina antes que fabricantes de chips adotem correções definitivas.


