O deputado estadual Wilson Santos (PSD) amenizou a denúncia de assédio moral contra 525 alunos do do curso para novos soldados da Polícia Militar. Segundo o parlamentar, os soldados teriam escolhido a vida militar.
Para ele, os aprovados no último concurso da secretaria de Segurança deveriam estar preparados para enfrentar o treinamento ou renunciar ao cargo. “A vida militar é uma vida espartana e dura. Exige-se. Acho que há excessos, mas aqueles que optam, voluntariamente, de maneira livre de ingressar numa carreira militar, têm que saber que tem muita dificuldade. E quem não aguentar o arrocho, tem que pedir para sair. O sistema realmente não é mamãe quero queijo não. A coisa pega”, alegou Wilson Santos, em entrevista à rádio Cultura (90.7 FM), na manhã desta terça-feira (18).
O caso veio à tona, ainda na manhã desta terça (18), em uma reportagem do jornal A Gazeta. A publicação denuncia que os quase 600 alunos são submetidos a assédio moral, humilhações e tratamento desumano e condições de treinamento insalubres.
Conforme a queixa dos alunos, as aulas começam às 5h50 na Escola de Formação e Aperfeiçoamento de Praças (Esfap) e não tem hora para acabar. Os treinos são realizados todos os dias e variam de 15h a 20h de exercícios pesados.
Os futuros soldados são submetidos a horas de exposição solar e não comem o suficiente. Por isso, desmaios se tornaram constantes no local.
Além do sofrimento físico, os alunos são abusados psicologicamente, com humilhações constantes e xingamentos que ofendem a moral e honra dos estudantes. Eles são chamados de ‘inúteis’, ‘lixo’ e ‘escória’ por seus superiores.
Santos, que já foi do Exército Brasileiro, reconhece que houveram excessos, mas alegou que o tratamento é preparatório para a vida militar, uma vez que quando se formarem, precisarão lidar com todo tipo de bandido. “Eles estão sendo preparados para defender a vida contra bandidos, facínoras, gente traiçoeira e devem estar preparadíssimos fisicamente e psicologicamente, munidos de armas de primeiro escalão. Não é fácil, mas deixar bem claro que ali não tem ninguém obrigado. Os que estão lá são voluntários e sei que nem todos aguentam. Há sim excessos”, opinou Santos.
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Por fim, após admitir o exagero dos superiores, Wilson Santos afirmou que a Assembleia Legislativa irá investigar o caso através da Comissão de Segurança. “Há sim excessos e a própria Assembleia Legislativa tem a Comissão de Segurança. Podemos fazer, averiguar e acompanhar in loco esses treinamentos. Também vamos levar a essa matéria e procurar a direção da escola”, garantiu o parlamentar.


