Sábado, 24 de outubro de 2026

Dumbo, LK, Português e mulher vão a júri por emboscada e morte de Sérgio, encontrado em mata após meses desaparecido

Segundo a acusação, Maria Luíza, que mantinha relacionamento com Sérgio, atraiu o jovem até sua residência. No local, ele foi rendido, amarrado e submetido a um “julgamento” por videochamada com integrantes do Comando Vermelho.

Dumbo, LK, Português e mulher vão a júri por emboscada e morte de Sérgio, encontrado em mata após meses desaparecido

Quatro acusados de participação no assassinato de Sérgio Lucas da Silva Júnior, conhecido como Juninho, vão a julgamento pelo Tribunal do Júri em Sorriso. A decisão é do juiz Rafael Deprá Panichella, da 1ª Vara Criminal do município.

Foram pronunciados Felipe dos Santos Mariano, o “Dumbo”; Maria Luíza Soares de Souza; Lucas Alves de Gois, o “LK”; e Wesley Santos Costa, conhecido como “Português”. Eles respondem por homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver e participação em organização criminosa armada.

Segundo a acusação, Maria Luíza, que mantinha relacionamento com Sérgio, atraiu o jovem até sua residência. No local, ele foi rendido, amarrado e submetido a um “julgamento” por videochamada com integrantes do Comando Vermelho.

O Ministério Público atribui a morte à suposta ligação da vítima com o PCC. Sérgio teria sofrido coronhadas antes de ser estrangulado com uma peça de roupa.

Conforme a denúncia relatada pelo MidiaJur, Felipe Mariano teria ordenado a execução, enquanto Wesley teria levado uma pistola calibre .380 para assegurar a ação. Lucas confessou em juízo o enforcamento. A acusação também aponta que Felipe entregou R$ 300 para Maria Luíza fugir após o crime.

Sérgio estava desaparecido desde abril de 2024. A família procurou a polícia, e o irmão comunicou o desaparecimento. Por cerca de dois meses, os familiares permaneceram sem informações sobre seu paradeiro.

Os restos mortais foram encontrados na tarde de 1º de julho de 2024, em uma região de mata nas proximidades de um clube de tiro, na MT-338, perto do Anel Viário de Sorriso.

A localização ocorreu depois que um suspeito preso por outros homicídios confessou participação na morte e indicou onde o corpo havia sido deixado. As equipes foram ao ponto informado e encontraram a ossada, encaminhada ao Instituto Médico Legal para identificação.

Em 2 de dezembro de 2024, a Polícia Civil realizou outras duas prisões relacionadas ao caso. Na ocasião, o delegado Bruno França explicou que registros telefônicos sustentavam a suspeita de que uma mulher havia feito contato com Sérgio para atraí-lo.

A investigação também apontou que o jovem teria permanecido em cativeiro por vários dias antes de ser assassinado. Provas técnicas ajudaram a identificar a residência utilizada, levando à prisão temporária do proprietário. Durante a operação, policiais encontraram e apreenderam uma plantação irregular de maconha no imóvel.

Na fase judicial, a defesa de Maria Luíza alegou que ela agiu sob ameaça de morte. Já as defesas de Felipe e Wesley pediram a impronúncia, argumentando que não havia provas suficientes para submetê-los ao julgamento popular.

O magistrado rejeitou os pedidos e manteve as qualificadoras de motivo torpe, meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima. As prisões preventivas dos quatro também foram mantidas.

A pronúncia permite que a acusação seja julgada pelo Tribunal do Júri e não representa condenação. A reportagem consultada não informa a data do julgamento.

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