Ministro Edson Fachin, do STF, autorizou a Polícia Federal a buscar provas contra ministro Dias Toffoli
PF usou dados de operações da Lava Jato do Rio em apuração que resultou no pedido de inquérito contra Toffoli
Em delação, Sérgio Cabral acusou o ministro do STF de venda de decisões judiciais
O ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a Polícia Federal a usar dados de duas operações relacionadas à Lava Jato do Rio em uma apuração preliminar que resultou no pedido de inquérito contra o ministro Dias Toffoli.
O pedido de investigação sobre Toffoli havia sido feito pela PF depois que ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral disse em sua delação premiada que o ministro teria recebido R$ 4 milhões para favorecer dois prefeitos fluminenses em processos que tramitaram no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
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A PF utilizou as informações para embasar relatório em que diz que é preciso investigar suposto crime de corrupção do ministro em venda de decisões judiciais. As informações foram divulgadas pela coluna Painel, da Folha de S. Paulo.
O juiz Abel Gomes, do Tribunal Regional Federal da 2a Região, negou anteriormente o compartilhamento por envolver pessoas com foro. O procurador-geral da República, Augusto Aras, se manifestou contra porque a Polícia Federal não indicou quem eram os investigados.
Fachin acatou argumento da PF de que o acordo de colaboração de Sérgio Cabral tem uma cláusula que prevê o uso de informações coletadas nas operações Calicute e Boca de Lobo - a primeira prendeu o ex-governador, em 2016, e a outra, seu sucessor, Luiz Fernando Pezão, em 2018.
O material então foi utilizado nos pedidos de 20 inquéritos para apurar possíveis crimes praticados por pessoas com foro nas cortes superiores.
A PF produziu um relatório em que aponta documentos da Calicute e Boca de Lobo que, no entendimento dos delegados, corroboram a acusação de Cabral sobre Toffoli ter recebido R$ 3 milhões para beneficiar o ex-prefeito de Volta Redonda (RJ) Antônio Francisco Neto (MDB).
A Polícia Federal usa, por exemplo, emails apreendidos na Calicute para mostrar que o ex-secretário de Obras do Rio Hudson Braga se reuniu várias vezes com José Luiz Solheiro.
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Segundo Cabral, Braga foi responsável por operacionalizar os pagamentos a Toffoli, e Solheiro teria intermediado o contrato entre o ex-governador e o ministro, por meio de sua mulher, a advogada Roberta Rangel.
Na sexta-feira (14), Edson Fachin arquivou o pedido de investigação feito pela Polícia Federal contra Dias Toffoli e proibiu a PF de fazer qualquer apuração com base na delação premiada do ex-governador do Rio de Janeiro Sergio Cabral.


