Sexta-feira, 2 de outubro de 2026

Em MT, 33 presos fazem curso superior

RESSOCIALIZAÇÃO

Em MT, 33 presos fazem curso superior
DivulgaçãoFoto: Arquivo Colíder News

Em Mato Grosso, dos mais de 11 mil detentos distribuídos nas 37 unidades penitenciárias, 33 estão cursando ensino superior nas universidades públicas do estado. Entre os anos de 2015 e 2018, mais de 3,6 mil se inscreveram no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

Além das aprovações no Enem, os detentos também passam pelo processo do Sistema de Seleção Unificada (Sisu). No ano passado, 27 se inscreveram e 24 foram selecionados.

Os aprovados frequentam cursos como Letras, Ciências Contábeis, Ciências Biológicas, Administração, Matemática e Zootecnia, em instituições públicas. A maior parte estuda na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Campus de Rondonópolis, a 218 km de Cuiabá.

Segundo a professora Creuza Rosa Ribeiro, que coordena a equipe de professores que atuam na penitenciária Major Eldo Sá Corrêa, a Mata Grande, em Rondonópolis, a chegada de um detento à faculdade é um processo longo, porque muitos são presos apenas com ensino fundamental incompleto.

"É um desafio diário e que requer estratégias constantes de elevação da autoestima dos reeducandos para mostrar que ele é capaz", relatou.

O detento A.J., de 36 anos, curso do terceiro ano de Letras na UFMT e quando foi preso tinha estudado apenas até a 6ª série.

"Comecei a frequentar a escola dentro da unidade e foi onde eu tive a oportunidade de concluir meu ensino médio. Os professores me incentivaram e eu estudei para fazer o Enem", contou.

Ele diz que quer concluir o curso de Letras e fazer pós-graduação.

"O início foi muito turbulento, tinha insegurança em saber como seria tratado pelo que cometi no passado. Fui me aproximando, fiz um círculo de amizades importantes dentro da universidade que me ajudou a superar muitas dificuldades", disse.

Ele relara ainda que, com o estudos, pode resgatar a convivência familiar, a autoestima e a crença de que poderia ir além.

Outro universitário é J.M., 34 de anos, que ingressou recentemente no curso de Zootecnia também no Campus da UFMT de Rondonópolis.

"O Enem abre portas para o futuro. Na unidade prisional, recebi uma oportunidade ímpar e a faculdade vai me proporcionar uma nova chance, vai modificar minha vida", disse ele.

Segundo Creuza, o apoio da família e o compromisso de acompanhar o reeducando neste processo são muito importantes para que ele consiga mudar de vida.

"Para nós, professores, é muito desafiador, porém, cada um que consegue concluir o curso é como se fosse um filho para nós, como se tivéssemos 'gestado' um sonho junto com eles", concluiu ela.

Preparação

Além das aulas regulares dentro das unidades penitenciárias, especificamente na "Mata Grande", os detentos têm a oportunidade de fazer cursinho pré-vestibular por meio do projeto Zumbi dos Palmares.

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