Três empreiteiras apontadas pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) como integrantes de um suposto cartel nacional de obras rodoviárias seguem recebendo pagamentos milionários e executando contratos do Governo de Mato Grosso. A LCM Construção e Comércio S.A., considerada líder do esquema, a Ética Construtora Ltda. e a MTSUL Construções Ltda., também investigadas, mantêm obras em rodovias estaduais e movimentam valores expressivos no Estado.
Ao , a Secretaria de Estado de Infraestrutura (Sinfra), responsável pelos contratos das rodovias, afirmou não ter conhecimento sobre a investigação e que não foi comunicada pelo Cade.
A reportagem do tentou contato com a LCM e a Ética Construtora pelos números cadastrados na Receita Federal, mas os telefones constavam como indisponíveis. A assessoria jurídica da MTSUL se comprometeu a enviar manifestação, mas até o fechamento da matéria não houve retorno. O espaço permanece aberto para posicionamento das empresas.
LCM Construção: líder do suposto cartel
Com sede em Minas Gerais, a LCM mantém contratos robustos com o Governo de Mato Grosso. Um levantamento do VG aponta que, em outubro, a empresa assinou contrato de R$ 38,7 milhões para elaboração do projeto executivo e execução da recuperação funcional da MT-140/020, entre Gardez e Planalto da Serra, percorrendo 111,95 km entre Campo Verde, Chapada dos Guimarães e Nova Brasilândia. O prazo de vigência é de 240 dias, sendo 150 destinados à execução.
Os pagamentos à LCM vêm crescendo ano a ano, ultrapassando R$ 192 milhões desde 2021, principalmente para manutenção e recuperação de rodovias estaduais, como a MT-225.
Segundo reportagem do UOL, a empreiteira é apontada pelo Cade e pela Controladoria-Geral da União (CGU) como coordenadora de um conluio que teria fraudado licitações federais e movimentado R$ 10 bilhões no Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) entre 2021 e 2024. O Cade afirma que a empresa liderava o cartel ao definir previamente qual empresa venceria cada concorrência, utilizando Sociedades em Conta de Participação (SCPs) para repassar até 99% da execução a outras empresas — prática proibida por lei.
Atualmente, a LCM e outras 15 empresas, além de 15 executivos, respondem a processo administrativo no Cade, com penalidades que podem chegar a 20% do faturamento bruto das empresas e até R$ 2 bilhões para pessoas físicas. O proprietário da LCM, Luiz Otávio Fontes Junqueira, também é investigado pela Polícia Federal por irregularidades em dois pregões do DNIT no Amapá, que somam R$ 35 milhões, sob suspeita de pagamento de propina a servidores.
MTSUL Construções e Ética Construtora
A MTSUL Construções Ltda., com sede em Cuiabá, recebeu mais de R$ 450 milhões do Governo de Mato Grosso desde 2019. Seus contratos incluem recuperação e revitalização de ruas e estacionamentos do Centro Político Administrativo (CPA), pavimentação da MT-322, serviços na MT-220, restauração da MT-170, recuperação da MT-241 e revitalização da MT-208. Entre os destaques está a pavimentação e instalação de elementos de segurança no autódromo e kartódromo do Parque Novo Mato Grosso, contrato assinado em maio por R$ 13,7 milhões e prorrogado até dezembro, com valor reajustado para R$ 14,1 milhões.
A Ética Construtora Ltda., de Goiás, também mantém presença constante em obras rodoviárias do Estado. Apenas em 2025, a empresa já recebeu mais de R$ 36 milhões, e desde 2020 os pagamentos superam R$ 200 milhões. Entre os contratos, destaca-se a restauração da MT-451, em Poconé, no valor de R$ 27,3 milhões, com último pagamento registrado em outubro de R$ 3,4 milhões. A empresa também atua em rodovias das regiões Oeste e Araguaia, como MT-170, MT-175 e MT-322.
Conforme reportagem do UOL, tanto a MTSUL quanto a Ética, assim como a LCM, integram a lista de 16 empresas que o Cade aponta como participantes da manipulação de concorrências públicas e repasse irregular de obras via SCPs.


