Sábado, 12 de setembro de 2026

Empresas divulgadas por influencer têm 355 casos de estelionato

Polícia investiga plataformas clandestinas; Pam do Grau movimentou R$ 928 mil, com renda mensal de R$ 901

Empresas divulgadas por influencer têm 355 casos de estelionato

Alvo da Operação Jogo Duplo, deflagrada pela Polícia Civil, a influenciadora Pamela Cristiane da Silva, de 30 anos, conhecida como Pam do Grau, movimentou R$ 928 mil em sua conta bancária, entre junho de 2025 e abril deste ano.

Isso, apesar de não possuir vínculo empregatício formal e declarar renda mensal de R$ 901. 

Moradora de Nova Mutum (267 km ao Norte de Cuiabá), Pamela é investigada pela divulgação remunerada de plataformas clandestinas de jogos de azar pela internet.

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Segundo a Polícia Civil, uma das empresas divulgadas pela influenciadora acumula 355 boletins de ocorrência por estelionato registrados em diferentes estados brasileiros. 

A investigação é conduzida pela Delegacia Especializada de Roubos e Furtos (Derf) de Nova Mutum.

A ação apura suspeitas de exploração de jogos de azar, obtenção de vantagem ilícita mediante indução de terceiros ao erro, publicidade enganosa com promessas de enriquecimento fácil, associação criminosa e lavagem de dinheiro. 

LINKS DIFERENTES - Um dos principais pontos da investigação é a forma como os jogos eram apresentados aos seguidores da influenciadora. 

Pam do Grau possui cerca de 120 mil seguidores no Instagram e utilizava o perfil para divulgar as plataformas.

De acordo com a Polícia Civil, porém, o link usado pela própria investigada para jogar seria diferente daquele disponibilizado aos usuários comuns. 

No ambiente utilizado pela influenciadora, ela aparecia obtendo resultados positivos. Os supostos ganhos eram gravados e posteriormente exibidos nas redes sociais. 

Segundo a investigação, a exposição dessas vitórias induzia os seguidores a acreditar que poderiam obter resultados semelhantes ao entrar nas plataformas pelos links divulgados. 

A Polícia Civil apura, portanto, se havia uma diferença deliberada entre a experiência mostrada ao público pela influenciadora e aquela enfrentada pelos apostadores atraídos pela publicidade. 

VÍTIMAS NÃO CONSEGUIAM SACAR - As dificuldades relatadas pelos apostadores não se restringiam às perdas nos jogos. 

A investigação aponta que havia casos em que usuários acumulavam valores nas plataformas, mas não conseguiam sacar o dinheiro. 

Os sites também teriam vida curta.

Segundo a Polícia Civil, as plataformas permaneciam ativas durante aproximadamente dois ou três meses e depois eram encerradas.

Mesmo assim, a influenciadora continuaria divulgando novos links à medida que os serviços passavam a operar com outros nomes. 

A Polícia ainda investiga a estrutura por trás dessas plataformas e a eventual participação de outras pessoas no esquema. 

As informações divulgadas até agora não detalham quantas vítimas já foram identificadas em Mato Grosso, quanto elas perderam nem qual parcela dos R$ 928 mil movimentados pela investigada teria relação direta com a divulgação dos jogos. 

JUSTIÇA BLOQUEIA R$ 642 MIL - A Justiça autorizou uma série de medidas durante a Operação Jogo Duplo.

Foram cumpridas ordens de busca e apreensão na residência da investigada e determinada a quebra do sigilo telemático dos aparelhos recolhidos. 

Pam do Grau também passou a ser monitorada por tornozeleira eletrônica.

A Justiça determinou ainda a suspensão do perfil utilizado pela investigada no Instagram, sequestro de veículos, quebra do sigilo fiscal referente ao período de 2023 a 2026 e bloqueio de R$ 642.845,45. 

Entre os bens apreendidos estão um jet ski, duas motonetas elétricas, uma câmera, dois celulares, um drone e quatro motocicletas — uma Yamaha XT 660R, uma BMW G310, uma BMW R1250GS A e uma Honda CG 160 Titan EX. 

Também foram apreendidos um VW Jetta 2.0, uma carretinha e um reboque para jet ski. 

As medidas patrimoniais fazem parte da investigação sobre a movimentação financeira identificada pela Polícia Civil.

Não há, nas informações divulgadas até agora, indicação de condenação da investigada. 

POLÍCIA BUSCA NOVAS VÍTIMAS - As investigações continuam para identificar outros possíveis envolvidos e dimensionar o número de pessoas que teriam sido prejudicadas pelas plataformas. 

A Polícia Civil orientou moradores de Nova Mutum que tenham utilizado os jogos clandestinos divulgados e se considerem vítimas a procurar a Derf do município para registrar boletim de ocorrência. 

Os novos registros poderão ajudar os investigadores a calcular o prejuízo causado aos apostadores e a reconstruir o funcionamento das plataformas divulgadas nas redes sociais.

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