O Grupo EMS inicia nesta sexta-feira (6) a distribuição da Semaclique, sua terceira caneta injetável voltada ao mercado de medicamentos metabólicos e a segunda à base de semaglutida. O produto chega às farmácias com preço de R$ 464,81 por unidade ou R$ 999 no pacote com três, equivalente a R$ 333 cada. A companhia também pretende ampliar as negociações com o Ministério da Saúde para fornecer tratamentos a pacientes com obesidade pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Produzida pela Brace Pharma, subsidiária da EMS, a Semaclique será fabricada em Hortolândia, no interior de São Paulo. A distribuição inicial será de 250 mil unidades, com previsão de alcançar pelo menos 750 mil por ano. A estimativa é que o medicamento gere aproximadamente R$ 250 milhões em receita anual.
A nova caneta utiliza o mesmo princípio ativo da Ozivy, lançada pela farmacêutica há cinco meses. A estratégia é ampliar a presença comercial da empresa, alcançando diferentes regiões e profissionais de saúde. Cerca de 450 representantes participarão das ações de divulgação médica.
O lançamento ocorre em um momento de expansão da concorrência, após o fim da patente da semaglutida no Brasil, em março deste ano. Outras farmacêuticas, como Hypera e Sandoz, também avançam nesse segmento.
Negociações com o SUS
Segundo informações do NeoFeed, a EMS pretende intensificar as conversas com o Ministério da Saúde para viabilizar o fornecimento de medicamentos destinados ao tratamento da obesidade grave na rede pública.
Em setembro, o Ministério da Saúde encaminhou à Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) um pedido de avaliação da inclusão de medicamentos da classe GLP-1 no sistema público. A eventual oferta dependerá das análises de eficácia, segurança, custo-efetividade e impacto orçamentário.
A Semaclique tem registro para tratamento de diabetes tipo 2 em adultos, e não especificamente para obesidade. Portanto, sua eventual utilização para essa finalidade no SUS exigiria a avaliação das condições regulatórias e clínicas aplicáveis. O medicamento é vendido mediante prescrição médica.
Mercado de R$ 19 bilhões
O mercado brasileiro de medicamentos da classe GLP-1 deve movimentar aproximadamente R$ 19 bilhões em 2026. Nos últimos 12 meses, o segmento registrou crescimento de 83% em faturamento e de 70% no volume comercializado, segundo dados apresentados pelo NeoFeed.
A Ozivy já ocupa a segunda posição entre os medicamentos mais vendidos no país, atrás apenas do Mounjaro, conforme levantamento da consultoria IQVIA. Atualmente, o produto da EMS registra cerca de 400 mil unidades vendidas mensalmente, com expectativa de superar 500 mil até dezembro.
Para 2026, o Grupo EMS projeta faturamento de aproximadamente R$ 12 bilhões. Desse total, a Brace Pharma responde por cerca de 5%, o equivalente a R$ 600 milhões. A ampliação do portfólio de semaglutida integra a estratégia de crescimento da companhia em um dos segmentos mais disputados da indústria farmacêutica.


