A predisposição do indivíduo e fatores externos, como excesso de cafeína, por exemplo, também propiciam o aparecimento da enxaqueca, que pode se manifestar em duas formas: a crônica, caracterizada por quinze ou mais dias com dor durante o mês; e a episódica, em que as dores se manifestam menos de quinze vezes por mês.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera a enxaqueca a sexta doença mais incapacitante do mundo; no Brasil, a versão crônica afeta cerca de 31 milhões de brasileiros, a maioria entre os 25 e 45 anos, faixa etária considerada o auge dos anos produtivos. O Ministério da Saúde informa que o índice de ocorrência no sexo feminino atinge os 25%, mais que o dobro da manifestação em homens. No entanto, depois dos 50 anos, a taxa costuma diminuir, especialmente nas mulheres.
Problemas no rendimento
A pesquisa revela que 60% dos trabalhadores afetados pela versão crônica da doença perdem, em média, uma semana de trabalho por mês; cerca de 37% deles informaram que convivem com a enxaqueca há dezesseis anos ou mais. Os dados ainda revelaram que a enxaqueca reduz a produtividade em 53%, número que sobe para 56% no caso de indivíduos cujo tratamento preventivo falhou mais de duas vezes. Entre os entrevistados, 90% disseram já ter utilizado pelo menos um tratamento preventivo e 80% precisaram alterá-lo uma ou mais vezes.
Peres diz que o stress no ambiente de trabalho pode ser fator desencadeante das crises, por isso, é preciso evitá-lo na medida do possível. “Muitas vezes existe a sobrecarga externa, do trabalho, e a interna, das próprias cobranças. O perfeccionismo é um traço muito comum dos pacientes com enxaqueca. As pessoas precisam avaliar os limites pessoais e não passar deles”, alerta. Caso não seja possível, a recomendação é buscar válvulas de escape para o stress, como formas de relaxamento que trabalhem corpo e mente.
Sem apoio
Apesar de ser um problema conhecido da população, assim como das empresas – 63% das pessoas afirmaram que os empregadores estão cientes de que os funcionários têm a doença –, o apoio recebido no trabalho não é o bastante (18%). O número é relativamente pequeno se considerarmos que 47% dos participantes trabalham em período integral, portanto, diante dos episódios de enxaqueca, eles podem perder até um dia inteiro de trabalho.
Essa ausência ainda gera outro problema: a estigmatização do funcionário, que é julgado – por colegas e chefes – por tirar licenças médicas devido à doença. De acordo com Peres, a falta de acolhimento também pode se tornar um fator agravante, questão que salienta a necessidade da conscientização e do apoio no local de trabalho.
Tratamentos atuais
Segundo Peres, atualmente, existem duas abordagens de tratamentos disponíveis no mercado: agudo e preventivo. No agudo, o objetivo é combater a dor no momento em que ela aparece com o uso de analgésicos e anti-inflamatórios (para combater as dores), ou de triptanos e ergotaminas (classes de medicamentos usada especificamente para tratar a enxaqueca).
No entanto, o principal tratamento e também o mais efetivo é o de caráter preventivo, já que reduz o número de crises. Alguns dos tratamentos mais comuns são o Botox – também usado em procedimentos estéticos –, além de orientações não farmacológicas, como realização de atividades físicas, psicoterapias, acupuntura e ioga.
Por ser uma especialidade da fisioterapia, quem determina a frequência das sessões é o próprio fisioterapeuta osteopata, ou seja, para a realização do tratamento, não é necessário recomendação médica, embora o tratamento conjunto seja normalmente a melhor opção para o paciente. As sessões podem começar semanais e, conforme o paciente demonstra uma melhora, elas podem se tornar quinzenais, mensais ou até semestrais.
Desde o ano passado, a osteopatia está disponível para os pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS). A medida faz parte da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC). No Rio de Janeiro, a Escola de Osteopatia de Madrid, em parceria com o Hospital Gafree e Guinle, oferece à população atendimentos gratuitos.


