Terça-feira, 6 de outubro de 2026

Ex-assembleiana, drag Queen se torna pastora da primeira igreja inclusiva de Cuiabá

Hoje, ela está na luta para abrir as portas da primeira igreja inclusiva de Cuiabá, que atualmente atua somente em células na casa dos fieis.

Ex-assembleiana, drag Queen se torna pastora da primeira igreja inclusiva de Cuiabá
Foto: Arquivo Colíder News

Nascida de uma família conservadora e tradicional de membros da igreja Assembleia de Deus, a cuiabana Kauanny Garcia viveu por muitos anos, como ela mesma diz, ‘no armário’. Foi em São Paulo que ela conheceu no ‘Evangelho Inclusivo’, se descobriu drag Queen e tornou-se pastora. Hoje, ela está na luta para abrir as portas da primeira igreja inclusiva de Cuiabá, que atualmente atua somente em células na casa dos fieis.

A grande inspiração de Kauanny foi a pastora Rosânia Rocha, e sua esposa Lanna Holder, que mantém um ministério inclusivo em São Paulo. “Eu fui para o ministério cidade de refúgio, onde começamos a nossa caminhada de fé no evangelho inclusivo”, contou ao Olhar Conceito. “É um evangelho que te acolhe da maneira como você é, até porque Jesus te fez daquela forma e te aceita como você é”.

Depois de conhecer o ministério, Marcello Moura criou a Kauanny, sua drag Queen, e passou a pregar tanto como homem, quanto como a drag. “Eu fui uma das primeiras pastoras drag Queen a ser levantada no evangelho inclusivo no Brasil. [Antes] Se pregava muito que não podia se montar, que não podia ser travesti, trans, porque Jesus não aceitava. A pastora Lanna foi a primeira a quebrar o tabu, a falar que Deus nos aceita da maneira que nós somos”, lembra. “Ela mesmo, quando se assumiu e casou com a Rosana, foi a primeira a raspar a cabeça, trocar suas vestes, e caminhar como homem’”.

O exemplo de Lanna deu forças a Kauanny, e ela se tornou pastora de uma igreja em Carapicuíba. Decidiu voltar para Cuiabá por amar sua terra, e ter vontade de mostrar aos LGBTQ+ daqui que há um caminho na fé também para eles. “Vi que aqui tem aumentado o número da mortalidade no meio LGBT, o preconceito tem sido muito grande, e muitos têm entrado em depressão... porque a família não aceita, as pessoas não aceitam. Então eu decidi voltar e trazer essa visão transformadora, mostrar que nós podemos ser cristãos e ser como somos”.

Por enquanto, a igreja só funciona em células na casa das pessoas. A vontade de Kauanny é unir uma comunidade para, em breve, alugar um salão, onde serão realizados os cultos. Segundo ela, a maior parte dos fieis da Igreja Inclusiva vêm de outras denominações, onde foram rejeitados, mas também há aqueles que se tornam cristãos depois de conhecer este ministério.

A chegada desta igreja tem incomodado outros fieis. “Somos muito perseguidos, falam que a gente prega um evangelho morto, hipócrita, mentiroso, que Jesus não aceita esse tipo de pessoa, que no fundo nós iremos para o inferno... sabendo que no fundo mesmo Jesus nos aceita como somos”, afirma. “Eu levo na esportiva, e quando passa para a bíblia eu procuro mostrar textos que relatam e explico, dentro da teologia inclusiva, o que realmente aquele texto quer dizer”.

Quem quiser conhecer a igreja inclusiva ou fazer um encontro de célula em sua casa, basta entrar em contato com a pastora pelo (65) 98446-6068.

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