Terça-feira, 6 de outubro de 2026

Fazendeira realiza três safras por ano no Norte de MT

Em uma área de 1.650 hectares, com tecnologia, fazenda tem mais de 6 variedade de culturas em rotação

Fazendeira realiza três safras por ano no Norte de MT
Foto: ReproduçãoFoto: Arquivo Colíder News

A Fazenda Cabeceira 5, situada em Ipiranga do Norte (466 km ao Norte Cuiabá), município de pouco mais de 6 mil habitantes e que, até 2004, pertencia à vizinha Tapurah, no Médio-Norte mato-grossense, é uma propriedade modelo por sua gestão e eficiência no uso da terra.


Em uma área plantada de 1.650 hectares, com a ajuda da tecnologia, a fazenda realiza três safras completas por ano.

Além disso, possui uma grande variedade de culturas no esquema de rotação: são mais de seis variedades diferentes.

Atualmente, Mato Grosso lidera como o maior produtor nacional de grãos e algodão, com uma participação de 28,9%, tendo na última safra sido responsável por mais de 66,9 milhões de toneladas.

Porém, a sucessão, ano a ano, de milho e soja tem resultados em grandes problemas nas fazendas, com nematoides, pragas e doenças.

Contudo, na Cabeceira, 5 este é um problema que vem sendo contornado. O segredo? A diversificação de culturas.

“Com o cultivo de chia, gergelim, arroz e feijão, temos uma rotação eficiente e rentável com a soja e o milho. Como são culturas diferentes de outras famílias, as pragas não atacam”, diz a Ana Clara Gatto, produtora, agrônoma responsável pela parte financeira, administrativa, compra e vendas na fazenda.

O cultivo da chia e o gergelim na propriedade acontecem em parcerias com as empresas da região.

Essas empresas fornecem as sementes e fazem o contrato de compra da produção.

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“Esse acordo é muito interessante para nós, pois temos a garantia da venda desses cultivos nos quais a venda é mais restrita”, diz Ana Clara.

Ainda segundo ela, que é filha e neta dos primeiros produtores do Estado que migraram do Rio Grande do Sul para desbravar Mato Grosso, esse cultivo tão diversificado só foi possível com o implemento de tecnologia.

Uma dessas soluções adotadas foram os pivôs de irrigação. Atualmente, a propriedade conta com dois equipamentos que juntos irrigam uma área de 320 hectares.

“Os pivôs nos permitiram a maior otimização no uso do solo, por isso conseguimos plantar e colher até três safras por ano”, destaca a agrônoma.

Outra grande vantagem que a irrigação por aspersão proporcionou para a fazenda, segundo a produtora, foi de poder programar e antecipar o plantio da soja.

Enquanto a maioria dos produtores de Mato Grosso está com a colheita da oleaginosa atrasada e com a produtividade comprometida, por conta do excesso de chuva neste período do ano, a Cabeceira 5 já está finalizando a colheita das últimas sacas.

“Com o pivô, temos o serviço bem mais tranquilo, não fica tudo concentrado em uma época só, fazendo assim melhor gestão do tempo de toda a equipe”, disse Ana Clara.

A FORÇA DA MULHER - Ana Clara Gatto é uma defensora ativa dos direitos da mulher e tem levantado essa bandeira principalmente no campo, em sua fazenda, mas também em encontros, eventos e feiras.

“O preconceito quanto à mulher, principalmente no campo, melhorou muito, mas a gente ainda sente aquela desconfiança estrutural, como se a palavra da mulher tivesse menos força e credibilidade. Por isso, temos que provar nossos conhecimentos constantemente. Isso precisa mudar, precisamos ser tratadas igualitariamente aos homens seja na credibilidade ou na qualidade do trabalho desempenhado”, afirmou.

Ainda segundo ela, oportunidades como o Dia Internacional da Mulher são sempre uma chance de debater o tema e sua importância.

“Todo mundo tem que ser tratado igual, independentemente de seu gênero. As pessoas devem ser escolhidas por sua capacidade. Temos visto mais mulheres com cargos de liderança, e isso é algo bom e deve crescer cada vez mais”, completou a produtora.

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