Oceano se move
Dorsais meso-oceânicas são imensas cadeias montanhosas submarinas. Nelas, placas tectônicas se afastam, magma sobe do interior da Terra e, ao esfriar, transforma-se em novas cadeias no fundo do oceano.
Esse mecanismo criou cerca de dois terços da superfície terrestre ao longo de uma rede de dorsais que soma aproximadamente 65 mil quilômetros, mas observá-lo diretamente debaixo de quilômetros de água continua sendo difícil.

Foi justamente essa dificuldade que tornou o episódio registrado em abril de 2024 pela equipe liderada pelo geofísico Jean-Yves Royer incomum. Mais de 20 instrumentos acompanhavam terremotos, pressão e distâncias entre pontos específicos do leito marinho.
Quando a crise começou, os equipamentos registraram uma mudança que deveria ser medida em centímetros, surgindo em escala de metros. O movimento chegou ao pico de aproximadamente 5 centímetros por minuto logo após os terremotos.
Uma semana depois, havia desacelerado para cerca de 1,2 centímetro por dia.
Magma por baixo
A interpretação dos pesquisadores aponta para um reservatório de magma com cerca de 2,5 quilômetros de largura, localizado aproximadamente 3,6 quilômetros abaixo da crosta.
Quando esse reservatório começou a perder magma, o terreno acima dele cedeu. O fundo do vale da dorsal sofreu aproximadamente 4 metros de subsidência, enquanto lados opostos da estrutura também se afastaram horizontalmente em mais de um metro.
Ao mesmo tempo, o magma avançou por fraturas da crosta até alcançar o leito oceânico. A estimativa apresentada no estudo é de aproximadamente 160 milhões de metros cúbicos de lava expelidos em cerca de 16 dias que já formaram novas cadeias submersas.


