Quarta-feira, 7 de outubro de 2026

Geada negra completa 50 anos: 'Não sobrou um único pé de café'

“Foi o dia em que o ouro verde dos cafezais se transformou em cinzas, muito antes do incêndio do teatro homônimo.

Geada negra completa 50 anos: 'Não sobrou um único pé de café'
Foto: Arquivo Colíder News
Geada negra, fenômeno severo registrado em 1975 determinou o fim da produção de café em larga escala, abrindo caminho para o avanço dos grãos, principalmente a soja Meio século se passou, aquele dia 18 de julho de 1975 havia amanhecido como outro qualquer, mas reservava a João José Resende Paiva uma surpresa que marcaria sua vida e a agropecuária do Paraná. 


Com 27 anos, à época, o rapaz que tocava a propriedade da família em Cambé, município da Região Metropolitana de Londrina, desconfiou que algo estava errado quando encontrou, no pasto, um touro Nelore que, ao chacoalhar o dorso, espalhava gelo ao redor. 

O Paraná havia registrado a pior geada de sua história. Aquele cenário era uma pequena mostra dos efeitos da geada negra, umas das mais intensas catástrofes climáticas do século passado. O episódio quase exterminou a produção de café no Paraná, até então, o maior produtor nacional. 

Além dos reflexos na cultura cafeeira, o fenômeno modificou severamente a agropecuária estadual, abrindo caminho para o avanço dos grãos, principalmente da soja. 

O Jornal Folha de Londrina, cidade epicentro da geada negra, do dia seguinte estampou na manchete o título “Não sobrou um único pé de café”. Segundo a matéria aquele dia o gelo brotou do chão e queimar os cafezais do Estado. “Foi o dia em que o ouro verde dos cafezais se transformou em cinzas, muito antes do incêndio do teatro homônimo. Da noite para o dia o que era riqueza virou tristeza. A temperatura atingiu 6º C negativos” – dizia o jornal.

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