Terça-feira, 29 de setembro de 2026

Gigante do agro recusa 400 fazendas à espera de queda no preço de terras

BrasilAgro de ‘sangue frio’ adia compras, enquanto recuperações judiciais aceleram no setor; bancos ofereceram quase 400 ativos sob estresse, mas nenhum passou no “vestibular” da companhia

Gigante do agro recusa 400 fazendas à espera de queda no preço de terras
Foto: Arquivo Colíder News
O mercado de terras no agronegócio está em ebulição, mas a gigante BrasilAgro— uma das líderes nacionais em compra, desenvolvimento e venda de propriedades rurais — está demonstrando uma frieza estratégica que choca o setor. Em um movimento sem precedentes, a companhia completou um ano-safra inteiro (2024/25) sem realizar uma única aquisição de fazenda, apesar da avalanche de ofertas que recebeu.

A BrasilAgro é uma das principais companhias de investimento em terras agrícolas do Brasil, especializada na aquisição de propriedades rurais, seu desenvolvimento e posterior venda. Conhecida por sua tese de valorização imobiliária no campo, a empresa demonstra um histórico de grandes movimentações financeiras. Apenas no ano-safra 2024/25, a companhia registrou um total de R$ 2,8 bilhões em desinvestimentos (vendas de fazendas), o que demonstra a escala dos negócios que ela movimenta no agronegócio nacional.

A reportagem do portal The AgriBiz, assinada por Rafael Gregorio, revela o drama por trás da calmaria: a BrasilAgro foi cortejada com quase 400 ativos, em sua maioria, fazendas sob estresse financeiro. Deste volume, impressionantes 337 oportunidades de negócio foram recusadas. Isso mesmo: a empresa declinou de mais de três centenas de propriedades!

Em meio a uma verdadeira onda de pânico e alavancagem no campo, com bancos desovando books de clientes endividados, o CEO André Guillaumon é taxativo: “A gente entende que os preços e as taxas de retorno ainda não são atrativos.

” A tese é simples e brutal: os preços das terras dispararam na época da soja a R$ 200/saca e ainda não caíram o suficiente. A BrasilAgro tem capital, mas está sentada, com a mira apontada, esperando que os valores despenquem para acionar o gatilho de compra. O objetivo é comprar em preços de liquidação, quando a pressão dos juros altos (Selic) e o endividamento forçarem as vendas de ativos.

A paciência da BrasilAgro tem um motivo sombrio, que é justamente o que você não pode ignorar: o cenário de estresse financeiro que atinge o agro brasileiro.

Embora o crescimento dos pedidos de Recuperação Judicial (RJ) tenha desacelerado para 40% em 2025 (depois de um assustador aumento de 138% em 2024), o ritmo de surgimento de ativos sob estresse é considerado forte. São os bancos, antes parceiros, agora forçando a venda desses ativos “podres” para a BrasilAgro avaliar.

O que o mercado está deixando de ver é a escala do distress e a oportunidade de ouro que a BrasilAgro enxerga. A empresa se posiciona como uma “boutique de M&A” com o sangue frio necessário para operar neste novo ciclo.

A mensagem para o agronegócio é clara: a BrasilAgro está disposta a esperar a crise atingir seu pico para comprar na hora que todo mundo quer vender. É um sinal de que o pior na correção de preços das terras está por vir.

Com informações do portal The AgriBiz
Esta informação foi útil?Compartilhe com seus contatos.
Auto Posto Pit Stop
Conexão especial Auto Posto Pit Stop Conhecer parceiro