Terça-feira, 6 de outubro de 2026

Há um novo risco para a segurança cibernética: ataques feitos a partir de painéis solares

União Europeia sofreu mais de 200 ataques cibernéticos à infraestrutura de energia.

Há um novo risco para a segurança cibernética: ataques feitos a partir de painéis solares
Foto: Arquivo Colíder News
Um consultor de segurança cibernética explicou como foi fácil obter acesso ao sistema de painéis solares, informa a Bloomberg.


Em resumo, Vangelis Stykas, um hacker "do bem", detalhou como descobriu vulnerabilidades nos painéis solares e na rede elétrica conectada a eles. Do conforto de sua casa na Grécia, ele só precisou de um notebook e de um celular para contornar os firewalls de painéis em todo o mundo. Dessa forma, ele obteve acesso a grandes quantidades de energia, o suficiente para alterar significativamente o equilíbrio da rede elétrica.

O crescimento da energia solar significa que mais pontos adicionais estão conectados à rede, criando uma enorme vulnerabilidade que os hackers podem explorar. De fato, de acordo com dados da Agência Internacional de Energia, o número de ataques cibernéticos semanais a empresas de serviços públicos dobrou em dois anos. Na mesma linha, a União Europeia sofreu mais de 200 ataques cibernéticos à infraestrutura de energia.

Por quê? Os motivos podem ser muito diversos, desde o pagamento de "resgates" até deixar os países completamente no escuro, ou até mesmo com motivações militares, como é o caso dos ataques cibernéticos na guerra da Ucrânia. No caso específico das energias renováveis, no Japão, os hackers roubaram os dados bancários de uma empresa de energia solar atacando 800 dispositivos de monitoramento remoto para instalações de painéis solares.
Senhas mais perigosas da cultura pop
Que medidas estão sendo tomadas?
A demanda por painéis solares está aumentando e um estudo desenvolveu a teoria do efeito de aprendizado, o que significa que os painéis se tornarão cada vez mais baratos para instalar e usar. A IEA previu que mais de 100 milhões de residências em todo o mundo dependerão de sistemas fotovoltaicos.

Diante dessa situação, que tende a aumentar, a OTAN e a União Europeia realizaram várias simulações para analisar e reparar vulnerabilidades em infraestruturas renováveis, como o Locked Shield e o Cyber Europe. Por sua vez, a Comissão Europeia estabeleceu normas para que as empresas fortaleçam seus sistemas em um período de 18 meses. Além disso, algumas empresas, tanto públicas quanto privadas, começaram a responder aos relatórios de vulnerabilidades implementando correções de software em seus dispositivos conectados.

No Brasil, segundo dados da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR), em agosto de 2024 a capacidade de energia fotovoltaica instalada no país aumentou entre 2023 e julho de 2024, indo de 37.837 megawatts para 45.736 megawatts.

Ainda conforme a ABSOLAR, esse crescimento representa mais de 19% da matriz elétrica brasileira. Esses números incluem tanto a geração de energia centralizada, como em usinas solares fotovoltaicas, quanto a distribuída, que abrange sistemas instalados em residências, comércios, indústrias, propriedades rurais e prédios públicos.

No entanto, o crescimento exponencial da energia limpa nos últimos anos levanta sérias dúvidas sobre como garantir a segurança da infraestrutura de energia sem desacelerar a transição. Os especialistas alertaram que a velocidade pode ofuscar uma das premissas mais importantes: a segurança cibernética. Ainda não se sabe como esse dilema crucial será resolvido para o mundo em que já vivemos.

Texto traduzido e adaptado do site parceiro Xataka

Fonte: Matheus De Lucca l IGN Brasil
Esta informação foi útil?Compartilhe com seus contatos.
22ª Festa do Carneiro
Publicidade 22ª Festa do Carneiro Conhecer parceiro