O triste cenário de animais mortos por conta da sede, visto principalmente na região da Transpantaneira, no Pantanal mato-grossense, em 2021 pode não se repetir este ano.
A esperança está exatamente no volume de chuvas que vem atingindo o Estado no verão de 2022, sinal de que a seca será menos severa no habitual período. A impressão é do doutor em Meteorologia pela Universidade de São Paulo (USP), Rodrigo Marques, entrevistado pelo HNT sobre o assunto.
Os primeiros meses do ano tradicionalmente trazem chuva para os mato-grossenses, no entanto, tem se observado que o volume de água no começo de 2022 tem sido maior do que no período de 2021. Rodrigo, que também é professor de Climatologia do Departamento de Geografia da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), explicou que, do dia 1º ao dia 16 de março, choveu aproximadamente 283,1 mm, sendo que a média para o mês todo era de 217,5, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).
“Estamos na metade do mês e já choveu 30% a mais do que o esperado. Entretanto, houve registro, no dia 14, de chuva de 115 mm em 24 horas. É um volume considerável, se considerarmos sobretudo que em março do ano passado choveu 100,7mm. Esta única chuva registrada no dia 14 já foi superior a todo mês de março de 2021”, pontuou.
Segundo o especialista, o volume de água registrado em março confirma as características da influência do fenômeno natural La Niña. “Quando ela atua, a tendência é das chuvas serem dentro do esperado, ou acima do esperado”, explicou.
Rodrigo ainda lembrou que abril marca a transição da estação chuvosa para a estação seca, mesmo quando se fala em chuva dentro do esperado.
“Hoje, a expectativa é que setembro tenha chuvas dentro do esperado, ou seja, deve começar seco e, mais para o final do mês, aumentam as chances de chuvas. Entretanto, no decorrer dos meses, o cenário deve ficar mais claro [...] Ainda não é possível indicar a expectativa de chuva para o fim do ano, lembrando que entre outubro e abril chove o equivalente a 90% da chuva anual em Cuiabá. Os outros 10%, entre maio e setembro”, disse.
RELAÇÃO CHUVA E FRIO
É comum ouvir os mais velhos falando que ano quando chove muito também faz muito frio, mas Rodrigo desmistificou essa informação. Ele ressaltou que desconhece qualquer relação direta entre chuva mais intensa e frio mais intenso ou o contrário.
“Em 2021, tivemos cerca de 50% da chuva esperada no início do ano e, diferentemente dos outros anos, tivemos um inverno mais rigoroso, com a temperatura em Cuiabá baixando a 6°C, inclusive sendo registradas geadas em vários munícipios no sul de Mato Grosso".
O professor ainda afirmou que a previsão para este ano é que agosto e setembro sejam de bastante calor, com temperaturas acima do esperado em todo o Estado.
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“Importante, temperaturas acima do esperado não quer dizer acima do que ocorreu em 2020, que foi o ano mais quente já registrado em Mato Grosso, quando Cuiabá atingiu 44°C, Nova Maringá, 44,6°C, Poxoréu, 44,5°C. Aquele ano foi extremamente atípico, pois as frentes frias não atuaram no Estado entre final de maio e final de agosto, e o ar quente ficou preso sobre o Estado sofrendo mais aquecimento”, pontuou.


