Quarta-feira, 19 de agosto de 2026

Lobista dizia ser o “Fábio” em tratativas junto ao governo, aponta PF

Diálogos embasaram abertura de três inquéritos para apurar suspeitas de tráfico de influência, segundo o Estadão

Lobista dizia ser o “Fábio” em tratativas junto ao governo, aponta PF

A Polícia Federal (PF) afirmou, em relatório produzido em inquérito sobre o empresário Fábio Luis da Silva, o Lulinha, que a lobista Roberta Luchsinger demonstrava, em seus diálogos, ter “autorização” para agir em nome do filho do presidente Lula (PT).

Em uma das conversas com um interlocutor que participava da prospecção de negócios junto ao governo federal, Roberta afirmou diretamente ser representante de Lulinha. “Eles sabem o que eu sou. Eu sou o Fabio”.”

“Aparentemente Roberta tinha autorização para agir em nome dele”, diz trecho da investigação divulgado pelo Estadão.

Os diálogos de Roberta foram usados como elementos de prova pela PF para embasar a abertura de três novos inquéritos destinados a apurar suspeitas.

Ministério da Saúde

A PF também identificou, em mensagens de WhatsApp, que o ex-chefe de gabinete do presidente Lula (PT), Marco Aurélio Santana, o Marcola, recebeu de Roberta Luchsinger um modelo de contrato para venda de medicamentos à base de canabidiol ao Ministério da Saúde, com dispensa de licitação, segundo O Globo.

A PF apura a relação entre Lulinha e Roberta.

Em nota encaminhada a O Antagonista, o Ministério da Saúde afirma que “nunca houve possibilidade de compra de cannabidiol” por parte da pasta, uma vez que o produto sequer está incorporado ao SUS, o Sistema Único de Saúde.

“Dessa forma, a pasta não compra nem fornece o produto e não tem qualquer contrato. Nunca existiu por parte desta gestão nenhuma discussão para a sua oferta na rede pública de saúde”, acrescentou.

Leia também: Roberta Luchsinger era mais do que amiga de Lulinha?

O que dizem as defesas

O advogado Marco Aurélio de Carvalho, que representa Lulinha, afirma que são “ilações” de “setores da PF” que, segundo ele, estariam “agindo em uma caçada implacável com objetivos eleitorais.”

“Se esses setores quiserem disputar as eleições, têm que se afastar da função que abraçaram e pedir exoneração. Nós vivemos em uma democracia e o voto vence. São ilações absolutamente irresponsáveis. É difícil a gente afirmar qualquer coisa porque não temos o contexto, já que esses vazamentos são seletivos, criminosos e têm o objetivo indiscutivelmente eleitoral”, afirmou a defesa ao Estadão.

A defesa de Roberta afirmou que a divulgação de informações “não ajuda a investigação” e disse que o Ministério da Justiça deveria apurar os supostos vazamentos.

Leia mais: Amiga de Lulinha enviou contrato de canabidiol a ex-chefe de gabinete de Lula?

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