A Marinha do Brasil pode receber ainda em outubro de 2026 o segundo maior navio de guerra de sua Esquadra, adquirido do Reino Unido por um valor estimado em 20 milhões de libras esterlinas, aproximadamente R$ 145 milhões na conversão divulgada pela imprensa. Batizada de NDM Oiapoque (G350), a embarcação possui 176 metros de comprimento, deslocamento de 18,5 mil toneladas e capacidade para transportar centenas de militares, veículos e equipamentos pesados.
O navio, anteriormente conhecido como HMS Bulwark, passou por trabalhos de revitalização que envolveram investimentos britânicos de dezenas de milhões de libras. A previsão oficial de chegada em outubro foi anunciada pela Marinha em fevereiro de 2026, embora um calendário posterior tenha apontado novembro e ainda não exista confirmação pública de que a embarcação iniciou sua viagem ao Brasil.
Marinha anunciou chegada do gigante britânico em outubro e prepara sua incorporação à Esquadra
A expectativa de receber o Oiapoque em outubro ganhou força após a visita do ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, ao navio em Plymouth, na Inglaterra, em 3 de fevereiro de 2026.
Na ocasião, a Agência Marinha de Notícias confirmou a previsão de chegada em outubro, enquanto a incorporação ao setor operativo havia sido inicialmente programada para 30 de junho.
Durante a inspeção, o ministro acompanhou os trabalhos de revitalização, o treinamento dos militares brasileiros e o planejamento das etapas necessárias para transferir a embarcação à Esquadra.
Entretanto, um calendário de entregas divulgado posteriormente pelo Poder Naval indicou novembro de 2026. Já uma atualização publicada em agosto mencionou a entrega até o final do ano.
Até 8 de outubro, não havia confirmação pública de que o Oiapoque tivesse iniciado a travessia do Atlântico. Dessa forma, outubro permanece como uma previsão anteriormente anunciada, não como data definitiva de chegada.
Brasil negocia gigante britânico por cerca de R$ 145 milhões após Reino Unido gastar R$ 500 milhões em revitalização

O valor envolvido na aquisição chama atenção pela diferença entre o preço estimado da venda e os investimentos realizados pelo Reino Unido antes de transferir o navio.
Reportagens da imprensa especializada britânica apontaram que a venda do antigo HMS Bulwark ao Brasil foi negociada por aproximadamente 20 milhões de libras, equivalentes a cerca de R$ 145 milhões na conversão utilizada à época.
O montante precisa ser tratado como valor reportado pela imprensa, pois o preço final da transação não foi detalhado publicamente nos principais comunicados oficiais sobre a transferência.
O contraste fica ainda maior quando são considerados os gastos britânicos com a embarcação.
Entre 2022 e 2024, o Ministério da Defesa do Reino Unido informou ao Parlamento que foram investidos 72,1 milhões de libras na revitalização do HMS Bulwark, aproximadamente R$ 500 milhões na conversão histórica utilizada nas reportagens sobre o programa.
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exercitoLula autoriza 350 militares argentinos a entrar no Brasil com aeronaves, blindados, armas e munições para exercício no RSEsse investimento estava relacionado à recuperação e preparação do navio para continuar operando, antes de o governo britânico decidir retirar antecipadamente a classe Albion de serviço.
Os valores não representam uma despesa adicional de R$ 500 milhões para o Brasil. Segundo informações publicadas pelo portal Zona Militar, fontes consultadas pelo veículo afirmaram que os trabalhos realizados em Devonport não gerariam cobranças adicionais à Marinha brasileira.
A diferença entre o investimento britânico e o preço estimado da venda transformou a negociação em assunto de debate no Reino Unido, principalmente após a decisão de retirar de serviço embarcações que haviam recebido recursos expressivos de manutenção.
Com 176 metros e 18,5 mil toneladas, Oiapoque será superado apenas pelo Atlântico
A incorporação do Oiapoque modificará a lista dos maiores navios atualmente utilizados pela Marinha brasileira.
Com aproximadamente 18.500 toneladas de deslocamento, a embarcação passará a ocupar a segunda posição em porte, ficando atrás somente do Navio-Aeródromo Multipropósito Atlântico, também adquirido da Marinha Real Britânica.
O Oiapoque pertence à classe Albion, desenvolvida especialmente para apoiar o transporte de tropas, veículos militares e equipamentos destinados a desembarques realizados a partir do mar.
Diferentemente das fragatas e corvetas, que desempenham funções de escolta e combate naval, sua principal característica é servir como plataforma de transporte e apoio para forças militares.
A aquisição permitirá ampliar a quantidade de equipamentos e militares que a Esquadra pode movimentar em uma única operação, especialmente em missões que exigem grande capacidade logística.
Navio poderá transportar até 710 militares além de tripulantes e operar helicópteros de grande porte
Uma das características mais importantes do Oiapoque é sua capacidade de transportar até 710 militares, além de aproximadamente 290 tripulantes responsáveis pela operação da embarcação.
Isso significa que o navio poderá acomodar cerca de mil pessoas, considerando o efetivo transportado e os integrantes da própria tripulação.
A embarcação também possui espaços internos preparados para receber veículos militares, cargas e equipamentos necessários a operações realizadas longe das principais bases navais.
Outro recurso importante é sua doca alagável, estrutura que permite lançar e recuperar embarcações menores diretamente no mar.
Esses meios podem transportar tropas, viaturas e materiais até regiões costeiras, mesmo quando não existem portos adequados para receber um navio de grandes dimensões.
No convés superior, o Oiapoque poderá operar simultaneamente até dois helicópteros de grande porte, ampliando suas possibilidades de transporte aéreo e apoio às forças desembarcadas.
Compra do HMS Bulwark amplia capacidade brasileira de realizar operações anfíbias
A principal contribuição militar do Oiapoque será sua capacidade de apoiar operações anfíbias, nas quais tropas e equipamentos são deslocados do mar para uma área terrestre.
Nesse tipo de missão, o navio funciona como uma base de apoio para a movimentação de militares, embarcações de desembarque e suprimentos necessários à continuidade das operações.
A estrutura também permite coordenar diferentes atividades militares a partir de uma única plataforma, reunindo comunicações, transporte e recursos de apoio logístico.
Para a Marinha do Brasil, essa capacidade é especialmente relevante em operações envolvendo o Corpo de Fuzileiros Navais, que depende de meios marítimos para deslocar efetivos e equipamentos.
O Oiapoque poderá operar em conjunto com navios de escolta, helicópteros e outras unidades da Esquadra, ampliando a capacidade de atuação brasileira em regiões costeiras e áreas de interesse estratégico.
Militares brasileiros foram enviados à Inglaterra para aprender a operar os sistemas do Oiapoque
A transferência do navio exige uma preparação especializada dos militares responsáveis por sua operação.
Em setembro de 2025, a Marinha iniciou o envio de integrantes da futura tripulação ao Reino Unido para acompanhar os trabalhos e receber instrução técnica.
O planejamento inicial previa o deslocamento de aproximadamente 48 militares em setembro e outros 44 em novembro, com treinamento voltado aos sistemas de propulsão, navegação, geração de energia, comunicações e operações anfíbias.
A preparação envolve também procedimentos para operação de helicópteros, movimentação de embarcações de desembarque e manutenção dos equipamentos instalados a bordo.
Segundo informações divulgadas pela Marinha, a formação necessária para operar uma embarcação dessa complexidade pode exigir aproximadamente um ano.
Esse processo é considerado essencial para que o navio possa ser utilizado com segurança e alcance gradualmente sua capacidade operacional após a transferência ao Brasil.
Antigo navio britânico foi modernizado para continuar operando por pelo menos mais duas décadas
O Oiapoque entrou em serviço na Royal Navy em 2005, quando ainda utilizava o nome HMS Bulwark.
Durante sua trajetória, participou de operações militares e missões internacionais, incluindo atividades de transporte anfíbio e apoio humanitário.
Após a decisão britânica de retirar antecipadamente os navios da classe Albion de serviço, o Brasil avançou nas negociações para adquirir a embarcação.
A compra foi oficializada em setembro de 2025, e o navio permaneceu na Base Naval de Devonport, em Plymouth, para trabalhos de recuperação e adaptação.
Em agosto de 2026, fotografias divulgadas pelo Poder Naval mostraram a embarcação já com o indicativo brasileiro G350 pintado no casco.
Posteriormente, uma reportagem publicada pelo veículo francês Mer et Marine em setembro mostrou que o antigo HMS Bulwark continuava sendo preparado para voltar ao serviço sob bandeira brasileira.
Segundo a Marinha, a expectativa é que os trabalhos de revitalização permitam prolongar a vida útil do navio por pelo menos mais duas décadas.
Além de operações militares, Oiapoque poderá transportar hospitais de campanha e equipamentos para enfrentar desastres
A embarcação também terá importância em situações que não envolvem combate.
Sua capacidade de transportar militares, veículos, helicópteros e grandes quantidades de equipamentos permitirá apoiar operações humanitárias em regiões atingidas por enchentes, deslizamentos e outras calamidades.
A doca alagável poderá facilitar o envio de embarcações menores com suprimentos para localidades onde portos e estradas tenham sido comprometidos.
O navio também poderá transportar ambulâncias, estruturas de atendimento médico, equipamentos de engenharia e materiais destinados à reconstrução de áreas afetadas.
Essas características ampliam as possibilidades de utilização da embarcação em território brasileiro e em missões internacionais de assistência.
Com a chegada originalmente prevista para outubro de 2026, o Oiapoque representa uma das principais incorporações planejadas pela Marinha para reforçar sua capacidade de transporte militar e operações anfíbias.
A confirmação da partida da Inglaterra, da chegada ao Brasil e das etapas finais de incorporação será decisiva para determinar quando o segundo maior navio de guerra brasileiro começará efetivamente sua nova trajetória operacional.


