Sábado, 3 de outubro de 2026

Medicamentos devem subir mais de 10% nos próximos dias

Fabricantes e revendedores poderão subir os preços dentro da nova margem

Medicamentos devem subir mais de 10% nos próximos dias
Foto: ReproduçãoFoto: Arquivo Colíder News

Farmacêuticos têm alertado seus clientes que o preço dos remédios deve subir em breve. Isso porque o órgão do governo responsável por definir o reajuste máximo dos medicamentos deve anunciar nos próximos dias uma alta que será de 10,5%.



O cálculo para atualizar os valores é feito uma vez por ano pela Cmed (Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos) e tem como base inflação acumulada em 12 meses até fevereiro no IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), que fechou em 10,54%.


A Cmed também leva em conta outros três fatores (X, Y e Z), que analisam questões como a produtividade, a competitividade e o aumento de custos específicos para o setor farmacêutico.


Dois desses fatores (X e Z) já foram divulgados e não vão interferir no cálculo nem para mais nem para menos. Falta apenas o fator Y, que segundo fontes do setor, não será negativo neste ano. Ou seja, o reajuste pode ser até maior que a inflação de 10,54%, mas não será menor.


O anúncio oficial do aumento é esperado até quinta-feira (31). Fabricantes e revendedores poderão subir os preços dentro da nova margem definida pela Cmed, mas somente após publicação de portaria por parte do governo federal regulamentando o reajuste.


Anualmente, há três níveis de reajuste. O preço final ao consumidor, porém, depende da indústria e das próprias farmácias. Os níveis são definidos conforme o tipo de remédio. Os que têm maior concorrência sobem mais, como é o caso dos genéricos, por exemplo. Em 2021, os aumentos autorizados foram de 10,08%; 8,44%; e 6,79%.


Em nota, o Sindusfarma (Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos) afirma que o reajuste não será automático nem imediato, pois há concorrência entre as empresas.


"É importante o consumidor pesquisar nas farmácias e drogarias as melhores ofertas dos medicamentos prescritos pelos profissionais de saúde", recomenda Nelson Mussolini, presidente executivo do sindicato.


"Dependendo da reposição de estoques e das estratégias comerciais dos estabelecimentos, aumentos de preço podem demorar meses ou nem acontecer", diz ele.


As indústrias farmacêuticas também afirmam que os medicamentos costumam ter reajuste abaixo da inflação média -no IPCA acumulado de 12 meses até fevereiro, os produtos farmacêuticos subiram 6,65%.


"Os medicamentos têm um dos mais previsíveis e estáveis comportamentos de preço da economia brasileira", diz Mussolini.


Em 2020, o governo adiou o reajuste no teto do preço de medicamentos por causa da pandemia de coronavírus no país. Em 2021, o aumento foi aplicado normalmente, como ocorre todo ano.

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Política de preços Em fevereiro, o governo de Jair Bolsonaro (PL) avaliou alterar a forma de reajuste, permitindo que os preços dos remédios fossem modificados a qualquer momento, mas houve resistência da equipe econômica, contrária a intervenções no mercado.


Havia duas propostas: uma da Cmed, que indicava possibilidade de aumento excepcional, sempre que houvesse alta de insumos, e outra do Ministério da Saúde, que sugeriu medida provisória para permitir estas revisões de preço fora de hora.


FONTE: DA FOLHAPRESS

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