Quarta-feira, 30 de setembro de 2026

Menino de MT que fez tratamento na Inglaterra volta curado

Campanha realizada pela família para conseguir doador para Lennon salvou morador de Liverpool

Menino de MT que fez tratamento na Inglaterra volta curado
Foto: Arquivo Colíder News

O pequeno Lennon Goulart Williamson retornou a Rondonópolis após realizar um delicado tratamento na Inglaterra por quase cinco anos. Ele foi diagnosticado com uma síndrome rara quando tinha apenas 3.


 

A história de Lennon e de sua família foi revelada pelo MidiaNews há exatos cinco anos (leia AQUI). 

 

Atualmente ele está fora de perigo e vive uma vida normal. Realiza alguns exames médicos devido a problemas adquiridos no decorrer da doença, entre eles dermatológicos e oftalmológicos, mas não faz uso contínuo de nenhuma medicação

 

A família chegou ao Brasil em dezembro de 2020. Lennon, que está prestes a completar 8 anos, se adaptou com facilidade à nova mudança. 

 

“Eu nunca deixei de falar com ele em português. Já está na escola e indo super bem em relação à língua”, diz Juliana Goulart, a mãe. 


“Ele adora poder brincar no quintal. Lá [na Inglaterra] é muito frio e não saía tanto. Aqui está se sentindo liberto, tem a família perto, primos da idade dele”. 

 

Lennon foi diagnosticado com a síndrome mielodisplásica, que provoca um grupo de distúrbios que atuam nas células formadoras do sangue. A partir disso, células anormais se desenvolvem na medula óssea. Com o passar do tempo, essas células se tornam cancerosas evoluindo para uma forma de leucemia. 

 

Juliana conta como foi todo esse processo. “O período de tratamento foi de muitas incertezas, de muita luta e de muito medo”. 

 

A maratona contra a doença teve início nas festividades de fim de ano, ainda em 2015, e durou de forma mais intensa nos três anos que se seguiram. 

 

Assim que foi hospitalizado, Lennon precisou receber plaquetas - células do sangue produzidas pela medula óssea responsáveis pelo processo de coagulação. Naquele momento o maior risco era o de uma hemorragia. 

 

Devido à falta de plaquetas em Rondonópolis, a família precisou vir para Cuiabá, ficando na Capital por cerca de 20 dias. Até aquele momento a doença não havia sido descoberta. 

Arquivo pessoal

Lennon Goulart Williamson

O pequeno Lennon Goulart Williamson

 

Ainda sem um diagnóstico, a família então decidiu então ir para a Inglaterra - país de origem do pai de Lennon - em busca de tratamento. Desembarcaram em Liverpool, onde a criança ficou hospitalizada por mais dois meses, realizando exames de investigação. 

 

Mesmo após a realização dos exames, não se chegou a um diagnóstico. “Entre março e abril de 2016 tivemos que nos mudar para Londres, nisso ele já estava bastante mal, com várias infecções”, relembra Juliana. 

 

Após uma investigação mais profunda, concluiu-se pela necessidade de um transplante de medula óssea - tecido gelatinoso, que preenche a cavidade interna de vários ossos, onde são produzidos leucócitos, hemácias e plaquetas.

 

A cura

 

A doação que salvou a vida de Lennon veio do cordão umbilical de uma criança na Austrália. O transplante foi realizado em novembro de 2016 e, após a cirurgia, veio um longo período de recuperação. 

 

"Durante os dois primeiros anos os hospitais eram nossa casa”, comenta Juliana. 

 

Ela explica que a partir da quimioterapia e do transplante, a doença é eliminada e o paciente entra no período de recuperação e acompanhamento. 

 

“Deu certo, ele está curado, este é o último ano de acompanhamento. Em novembro ele vai receber alta, se Deus quiser nós vamos celebrar isso”, diz emocionada. 

 

A campanha

 

Enquanto a família procurava por doadores, criou a página “Cheeky Swabs”. Lá era possível acompanhar o cotidiano do Lennon através de vídeos e fotos. O intuito era sensibilizar as pessoas a serem doadoras.

 

Juliana conta que apesar da doação que salvou Lennon não ter saído dessa campanha, ela foi de extrema importância. “Representou muita força pra mim, me deu muita fé, muita esperança e salvou vidas”. 

 

“A gente ficou sabendo de um menino em Liverpool que conseguiu a medula óssea de um brasileiro por meio dessa campanha”, complementa.


“Sou eternamente grata para todas as pessoas que ajudaram com doações e orações, foi essencial”,diz. 

 

Juliana faz um alerta sobre a importância de se inteirar a cada procedimento realizado e sobre esse ser um momento passageiro. 

 

“Não pode deixar só nas mãos de médicos e enfermeiros, você tem que saber o que é que está acontecendo. Para quem esteja passando por isso, ou que tenha um familiar nessa situação, saibam que vai passar”, concluiu. 

 

Você também pode ser um doador

 

Nesta segunda-feira (31), chega ao fim em Mato Grosso a “Semana Estadual da Importância da Conscientização da Doação de Medula Óssea”. Essa é uma ação criada por meio da Lei 9.807/2012, de autoria do deputado estadual Ondanir Bortolini (PSD), “Nininho”.

 

O objetivo é promover cadastros de possíveis doadores. A ação foi completamente online e teve o apoio da Secretaria de Estado de Saúde (SES), por meio do MT-Hemocentro. 

 

No Brasil, de acordo com as informações do MT-Hemocentro, o número de cadastros passa dos 5 milhões. 

 

No estado de Mato Grosso, quando a lei foi sancionada, em 2012, eram apenas cerca de 12 mil cadastros. Atualmente esse número chegou a mais de 67 mil pessoas com cadastros aptos para doação .

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Para saber mais entre em contato com o MT-Hemocentro pelo número 65 3623 00 44 (ramal 222) ou pelo disque-saúde 136, o horário de funcionamento é das 7h30 às 17 h.

 

Leia mais sobre o assunto:

 

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