Quarta-feira, 9 de setembro de 2026

Mestre de obras recebe mais de R$ 50 mil e desaparece sem pagar trabalhadores em Cuiabá

O homem teria contado histórias pessoais tristes e, posteriormente, pedido um valor elevado como adiantamento, estratégia que teria contribuído para que os contratantes confiassem nele.

Mestre de obras recebe mais de R$ 50 mil e desaparece sem pagar trabalhadores em Cuiabá

Um mestre de obras identificado como Simon Antônio Sanchez Barcelo, venezuelano, é investigado por estelionato após receber mais de R$ 50 mil referentes ao pagamento por serviços realizados em obras em Cuiabá e depois desaparecer sem repassar o dinheiro aos trabalhadores contratados por ele.

O caso foi registrado na Polícia Judiciária Civil, no dia 30 de agosto. Segundo um dos registros, um pagamento de R$ 15,6 mil foi realizado em 28 de agosto, após uma medição dos serviços executados durante aproximadamente 15 dias.

De acordo com o relato feito à polícia, Simon havia colocado pelo menos oito trabalhadores para atuar nas obras. No entanto, após 15 dias atuando, os funcionários, como pedreiros, azulejistas e outros, procuraram o contratante para cobrar os valores referentes aos dias trabalhados.

O responsável apresentou aos trabalhadores o comprovante da transferência de R$ 15,6 mil a Simon, demonstrando que o dinheiro havia sido repassado diretamente a ele. A transferência foi realizada por Pix para a chave vinculada ao suspeito.

Inicialmente, Simon teria alegado que sua conta bancária havia sido bloqueada por 72 horas e que, por esse motivo, não conseguiu efetuar os pagamentos imediatamente. O contratante então pediu que ele apresentasse alguma comprovação do suposto bloqueio.

Após a solicitação, segundo o boletim, Simon deixou de responder às mensagens e ligações e não foi mais localizado.

A situação, entretanto, teria atingido um número ainda maior de trabalhadores. Segundo apurado pela reportagem, mais de 15 pessoas afirmam ter sido alvo do golpe. Há pessoas que afirmam ter valores superiores a R$ 20 mil, outra diz que tem R$ 7,2 mil a receber pelos serviços prestados e uma terceira relata ter trabalhado por 15 dias para receber R$ 5 mil e também não consegue contato com Simon.

Os trabalhadores estão sendo orientados a registrar individualmente boletins de ocorrência para formalizar os prejuízos e contribuir com a investigação.

Fuga do Brasil

Após receber o dinheiro da equipe, Simon afirmou ter deixado o país. Na única ocasião em que respondeu às mensagens do contratante, escreveu apenas: "oi eu não tô mais no Brasil ok. E minha esposa não tá comigo (sic)".

MídiaJur

simon golpista mestre de obras

 

Imediatamente após o envio da mensagem, ele bloqueou o contato e desapareceu das redes sociais.

A esposa de Simon é servidora pública em Mato Grosso e não há informações se ela sabe do paradeiro dele.

Segundo o boletim de ocorrência, trabalhadores teriam relatado que o suspeito já comentava anteriormente que pretendia retornar ao país de origem, a Venezuela.

Histórias tristes para conquistar a confiança

No relato à Polícia Civil, o comunicante também afirma que Simon teria conseguido conquistar a confiança das pessoas envolvidas antes de assumir os serviços.

O homem teria contado histórias pessoais tristes e, posteriormente, pedido um valor elevado como adiantamento, estratégia que teria contribuído para que os contratantes confiassem nele.

Além do comprovante do pagamento, foram disponibilizadas à polícia conversas mantidas por WhatsApp, registros das cobranças, documentos relacionados às obras e informações sobre os trabalhadores que procuraram os contratantes após o desaparecimento.

A Polícia Civil deverá apurar o destino do dinheiro recebido por Simon, as circunstâncias do desaparecimento e a existência de outras possíveis vítimas.

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