Segunda-feira, 5 de outubro de 2026

MPE faz devassa em hospital por suspeita de desvios em Cuiabá

Promotor cita entrevistas de membros da prefeitura denunciando má gestão de unidade

MPE faz devassa em hospital por suspeita de desvios em Cuiabá
Foto: Arquivo Colíder News

O MPE (Ministério Público Estadual)  abriu inquérito cívil público para investigar supostos indícios de ilicitude na AMCC (Associação Mato-grossense de Combate ao Câncer), gestora do HCan (Hospital de Câncer de Mato Grosso desde 2018. A portaria que instaurou o procedimento foi redigido pelo promotor de Justiça Marcelo Caetano Vacchiano, da 20ª Promotoria de Justiça Cível da Comarca de Cuiabá na segunda-feira (13).

Vacchiano listou matérias publicadas em diversos meios de comunicação social apontando divergências nos valores cobrados do poder público pela associação e negligência em alguns dos procedimentos médicos dos pacientes, como pessoas que precisavam de quimioterapia sendo dispensados porque não haveria remédios para administrar nos pacientes. O HCan justificou a falha repassando a responsabilidade à Prefeitura de Cuiabá, que teria acumulado pagamentos até a ordem de R$ 6,8 milhões até março deste 2020.

“Conste como investigada a AMCC, entidade incorporadora da antiga Fundação Hospital do Câncer de Mato Grosso e, como objeto, análise da execução financeira e atendimento às suas finalidades estatutárias tendo em vista a incorporação dos ativos e passivos da Fundação Hospital do Câncer Mato Grosso”, consta em trecho do documento.

No entendimento da promotoria, entretanto, a incorporação da associação ao Hospital obriga a gestora a assumir todos os ativos necessários à prestação dos serviços e procedimentos médicos e, se não o fizer, deve arcar com toda e qualquer responsabilização fiscal, civil, trabalhista, previdenciária constatadas na unidade. Isso inclui “recusa de atendimentos, investigações criminais em andamento e até cobranças possivelmente indevidas, já que em nota o município de Cuiabá informa que existe um ‘encontro de contas’ a ser observado”, explicitou.

O promotor determinou que os controladores do Hospital do Câncer apresentem toda a documentação relativa às alegações e ao procedimento investigatório, como quadro de associados e certidões negativas dos débitos tributários da Receita Federal desde 2017 até aqui. Isso inclui relatórios financeiros, balancete anual, relatório de atividades e relação de prestadores de serviços, entre outros.

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