Sexta-feira, 2 de outubro de 2026

Na Noruega, a importância da vida pessoal é tão grande que sair do trabalho às 15h é a norma, por isso a Geração Z já sonha com a semana de 4 dias

Menos horas, mais qualidade de vida: modelo em teste levanta debate global e pode refletir um desejo comum de quem vive cansado da rotina atual.

Na Noruega, a importância da vida pessoal é tão grande que sair do trabalho às 15h é a norma, por isso a Geração Z já sonha com a semana de 4 dias
Foto: Arquivo Colíder News
Vista de fora, a realidade dos noruegueses chama a atenção. E não apenas porque, embora a legislação estabeleça uma jornada semanal de 40 horas, na prática se trabalha menos e é comum deixar o escritório às 15h ou 16h, mas também porque, com uma média de 33 horas semanais, o país levanta o debate sobre se sua população não estaria trabalhando mais do que o necessário.

Entre os países que sinalizam mudanças no modelo tradicional de trabalho, a Noruega está entre os que consideram seriamente a adoção da semana de quatro dias. A proposta de trabalhar menos, aliada a uma maior eficiência, surge como uma possível solução para um cenário em que o absenteísmo e os problemas de saúde mental têm gerado preocupação.

A Noruega já está testando a semana de trabalho de quatro dias
Dados indicam a perda de 2,2 milhões de dias de trabalho por trimestre, sendo cerca de 25% relacionados à exaustão, ao esgotamento profissional e a outros problemas ligados ao trabalho. Além disso, 27% dos trabalhadores afirmam considerar deixar seus empregos para dedicar mais tempo à vida pessoal e à família, um movimento que chamou a atenção da organização 4 Day Week Global.

A entidade, sem fins lucrativos, tem como objetivo incentivar a transição para uma semana de quatro dias em todo o mundo e vem se baseando em resultados positivos observados em países como a Islândia. Com isso, lançou um programa piloto de seis meses na Noruega e na Suécia. Iniciado no fim do ano passado, o projeto deve se estender até o próximo verão, permitindo avaliar como a população reage à antecipação do início do fim de semana para a tarde de quinta-feira.

A estratégia segue o modelo 100-80-100, já adotado em outras experiências, como a realizada em Valência. Nesse formato, os trabalhadores recebem 100% do salário, cumprem 80% da jornada e mantêm 100% da produtividade. O fato de a população já estar acostumada a jornadas mais curtas pode favorecer os resultados. Caso os dados confirmem impactos positivos, a semana de quatro dias pode deixar de ser apenas uma tendência e se consolidar como uma mudança relevante no mundo do trabalho.

Fonte: Livia D'Ambrosio l Minha Vida
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