Segunda-feira, 5 de outubro de 2026

Navio chinês com capacidade de vigilância gera desconforto a militares brasileiros

A embarcação foi autorizada a atracar em setembro de 2025, mas causou desconforto na Marinha e no Itamaraty

Navio chinês com capacidade de vigilância gera desconforto a militares brasileiros
Foto: Arquivo Colíder News
O navio-hospital chinês Ark Silk Road encerrou nesta quinta-feira (15) sua estadia no porto do Rio de Janeiro, onde permaneceu desde 8 de janeiro. A embarcação, que oficialmente integra uma missão humanitária, levantou suspeitas entre autoridades brasileiras por carregar equipamentos de inteligência capazes de coletar dados estratégicos sobre portos e características geográficas do litoral do país, segundo fontes militares ouvidas pelo portal Poder360.

A autorização para a atracação foi solicitada pela China em 15 de setembro de 2025, por meio de uma nota diplomática que pedia permissão de permanência entre 8 e 15 de janeiro, mas não mencionava os objetivos da viagem nem fazia referência à chamada Missão Harmony 2025, descrita depois como a primeira operação humanitária internacional do Ark Silk Road.

O episódio causou desconforto diplomático em Brasília, especialmente por conta do momento de tensão geopolítica que ocorre na América Latina, segundo o Poder360. Além disso, a apuração informa que o navio teria sido utilizado também como plataforma de reconhecimento, reunindo informações sobre infraestrutura portuária e rotas marítimas brasileiras.

Esse tipo de ação é comum entre países que possuem acordos bilaterais de cooperação, o que não ocorre entre Brasil e China, deixando a visita em uma zona diplomática sensível.

A ausência de transparência gerou apreensão no Itamaraty e na Marinha, sobretudo porque o Ark Silk Road apresenta características incomuns para um navio hospitalar, com diversos sensores, antenas e radares instalados em sua estrutura externa, com tecnologias que ampliam significativamente sua capacidade de vigilância e coleta de dados.

A Secretaria de Saúde do Estado afirmou ao g1 que não haverá nenhum tipo de atendimento médico no navio-hospital chinês, e que o governo do Estado recepcionou os comandantes da embarcação no dia que a embarcação atracou no Rio de Janeiro.

Em nota à imprensa, o Pier Mauá destacou que “não há e não haverá atendimento médico humanitário no navio, tratando-se apenas de uma visita da delegação chinesa ao país para estreitar laços de amizade entre as duas nações.”

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