Domingo, 4 de outubro de 2026

Neurônios antigos podem ser regenerados e ajudar no tratamento de doenças degenerativas, afirma estudo

Cientistas descobriram como recuperar neurônios mais antigos, o que pode ajudar no desenvolvimento de tratamentos de lesões no cérebro e doenças neurodegenerativas.

Neurônios antigos podem ser regenerados e ajudar no tratamento de doenças degenerativas, afirma estudo
ReproduçãoFoto: Arquivo Colíder News

Uma equipe de cientistas da Universidade Luís Maximiliano (LMU) de Munique, na Alemanha, descobriu um método para regenerar neurônios envelhecidos. A descoberta, que foi publicada recentemente na revista Nature Neuroscience, pode auxiliar no desenvolvimento de tratamentos de lesões no cérebro e doenças neurodegenerativas.


Recuperando neurônios antigos

Os cientistas realizaram um experimento com camundongos em laboratório, e descobriram um método por trás da transformação da função de uma célula em outra. Neste processo, chamado de 'reprogramação neuronal direta', as células não-neuronais do cérebro (também conhecidas como células gliais) são transformadas em neurônios funcionais.

Eles notaram pequenas modificações químicas que, durante esse processo, ocorrem no epigenoma — conjunto de compostos químicos que se ligam ao DNA e regulam a atividade dos genes sem alterar a sequência do DNA em si.

E como funciona essa transformação em neurônios funcionais?

Os cientistas mostraram que um único fator de transcrição (proteínas que se ligam ao DNA para ativar ou reprimir a transcrição de genes específicos) pode controlar a ativação dos genes nas células.

A equipe usou novas técnicas para analisar o epigenoma (sistema que coreografa quais genes estão ativos em diferentes células) e descobriu um regulador que foi chamado de YingYang. Esse regulador equilibra o processo de conversão de astrócitos (um tipo de célula não-neuronal encontrada no sistema nervoso central) em neurônios.

Foi descoberto um regulador, chamado posteriormente de YingYang, que equilibra o processo de conversão de astrócitos (células não-neuronais) em neurônios.

E para alcançar esse equilíbrio, o YingYang abre a cromatina (complexa estrutura formada pelo DNA e proteínas associadas, como as histonas, que ajudam a compactar o DNA dentro do núcleo da célula) e trabalha junto com o fator de transcrição, transformando assim a célula.

Importância desse estudo

A perda de neurônios pode levar a sérios problemas no funcionamento do cérebro, impossibilitando a realização de tarefas simples do nosso cotidiano. À medida que os neurônios morrem, fica mais difícil a comunicação e a conexão entre as células, e isso altera o funcionamento do cérebro, afetando a memória, a atenção, concentração, a linguagem e o pensamento.

A perda de neurônios pode ocorrer devido a vários fatores, como: envelhecimento do cérebro, doença de Alzheimer, estresse e acúmulo de proteínas anormais e inflamação cerebral.

Dessa forma, os cientistas acreditam que esse método tem um grande potencial para tratar distúrbios neurológicos que afetam o funcionamento cerebral, as habilidades e a vida cotidiana, apesar de sua complexidade e desafios.

Exercícios físicos ajudam na regeneração do cérebro

Praticar atividade física (correr, caminhar, pedalar, pular corda, etc.) ajuda na preservação da rede nervosa do cérebro e no aumento da função dos neurônios, além de melhorar o fluxo sanguíneo para as células cerebrais.

atividade física
A atividade física contribui para a preservação da rede nervosa do cérebro e para o aumento da função dos neurônios.

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Além disso, há várias formas de estimular o nosso cérebro no dia-a-dia, para mantê-lo saudável e ativo. É importante você inserir algumas dessas dicas na sua rotina:

  • Leia livros;
  • Faça palavras-cruzadas;
  • Jogue jogos de tabuleiro;
  • Explore novas habilidades (jardinagem, cozinhar, tocar um instrumento, etc.);
  • Pratique novos idiomas;

Referência da notícia:

Pereira, A. et al. Direct neuronal reprogramming of mouse astrocytes is associated with multiscale epigenome remodeling and requires Yy1. Nature Neuroscience, v. 27, 2024.

Fonte: Tiago Robles l Meteored

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