A atividade madeireira é um dos pilares de sustentação da economia do município de Nova Bandeirantes, a exemplo de outros segmentos também foi atingido pelos efeitos da pandemia.
Com a volta da normalidade o volume de negócios está ganhando força novamente, gerando com isso índices satisfatórios por meio dos números. Outro fator a ser considerado também é a questão ambiental, fator que faz toda a diferença na ponta final para todo e qualquer tipo de negociação.
Um plano de manejo bem elaborado respeitando todas as regras ambientais, traduz em resultados satisfatórios já o que mercado é voltado para outros estados e por vezes, abrindo fronteiras para o mercado internacional.
A K2 é um exemplo disso em Nova Bandeirantes, sendo uma das principais empresas atuantes no setor madeireiro. De acordo com Carlos José de Oliveira gerente administrativo o momento é satisfatório para o setor.
“O Brasil sofreu com a pandemia e nós [se referindo a K2], tivemos um processo de ter que parar a empresa por um período de 60 dias... mas graças a Deus, houve a retomada na economia”, comentou
O Setor da Construção Civil é um dos eixos que fomenta o volume de negócios da empresa, algo destacado pelo executivo, onde muitas pessoas estão investindo em e pequenas reformas ou até mesmo construindo em tempos de lockdown nos grandes centros.
“O setor de construção ficou aquecido devido as pessoas ficarem em casa, muitos aproveitaram para fazer uma reforma e com isso deu aquecida nas vendas, principalmente no setor de base. Tivemos uma retração e consequentemente essa retomada”, salientou o gerente.
Carlos ainda ressalta que no começo da pandemia, a empresa passou por uma reestruturação, havendo demissões pontuais. Outro mecanismo adotado pela K2, foi antecipar as férias de alguns funcionários, redução na carga horária, além de utilizar do chamado “banco de horas”.
Todos a estratégia adotada ao longo deste tempo, decorreu dentro da legalidade como afirma Carlos.
“A gente tentou equalizar o máximo possível, usando todos esses recursos de modo a não demitir tanto funcionário”, disse.
Efeito Pandemia: Comparativo entre 2019 e 2020
Ao longo do tempo a empresa realizou uma mensuração para efeitos comparativos, resultando em uma queda drástica no volume de vendas. Com a retomada das negociações, já o mercado alvo são os grandes centros, Carlos argumenta que houve uma recuperação satisfatória.
“Nos meses de Abril, Maio e Junho de 2020, nós tivemos uma queda aproximadamente de 80 a 90% do volume de vendas, e hoje já conseguimos recuperar totalmente a nossa capacidade de faturamento”, apontou.
Por outro lado, o gerente afirma que o espaço de tempo que houve a paralisação, isso não se recupera.
Operações de Combate ao Desmatamento
A nossa região tem sido alvo frequente de operações da Sema, Polícia Federal, ICMbio, Corpo de Bombeiros e Força Nacional.
Recentemente tivemos a Operação Abafa Amazônia, sendo uma estrutura toda ela deslocada para o nosso município, resultando em mais de R$ 25 milhões em multas ambientais. De acordo com o balanço divulgado, os agentes estiveram em 21 propriedades, registrando um total de 6.623,74 hectares devastados, ainda sim, mais de R$ 73 milhões foram investidos na operação.
Municípios como Nova Bandeirantes, Apiacás, Nova Monte Verde e Paranaíta foram vistoriados.
Essas operações para o setor madeireiro diferentemente do que muitos pensam, acaba resultando algo de positivo para atividade na visão do gerente.
“Essas operações acabam vindo com o intuito de ajudar e fiscalizar, o que para nós... é bom, pois acaba coibindo os ilícitos e acaba sendo bom para o setor madeireiro”, ressaltou.
Ainda de acordo com Carlos, a madeireiras de Nova Bandeirantes trabalhavam através de manejo, com as operações o setor passa a ter um certo respaldo.
Outro detalhe lembrado durante a entrevista pelo gerente da K2, não houve situações, onde empresas que trabalham na legalidade pudessem ser atuadas. Carlos pontuou que erros podem acontecer.
“As vezes alguma coisa errada pode acontecer como questões de carga ou outra, mas é questão de essência ou volumetria... mas não que aquela madeireira esteja fazendo algo errado... então essas operações acabam ajudando o setor”, detalhou.
Orientações sobre Manejo Florestal
Muitos produtores que possuem áreas que podem ser exploradas em forma de manejo, precisam se ater aos detalhes de como proceder no trâmite.
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“A primeiro passo é procurar um engenheiro florestal da confiança desse produtor esse é o caminho natural. Existe também outro caminho, onde a lei permite a abertura da área de apenas 20%, aqui no bioma amazônico, já os outros 80% o caminho é fazer projeto de manejo”, salientou.
Mesmo que o produtor faça a segunda opção, contar com a assistência de um profissional habilitado é fundamental, pois a cultura é perene oferecendo novas oportunidades de exploração sendo algo perene com o passar dos anos.
Atualmente o planejamento de manejo está levando menos tempo como ressalta Carlos.
“Hoje está rápido em torno de 6 meses para o projeto de manejo ser liberado, desde que não haja litígio
Dificuldade com Mão de Obra
A questão da mão de obra em Nova Bandeirantes é um dos grandes entraves que dificulta o crescimento do município. Vários setores em nosso município padecem com isso, e no ramo madeireiro não é diferente. A K2 também vem sentindo reflexos disso como ressalta o gerente.
“Mão de obra especializada é um problema aqui na cidade é uma dificuldade tremenda, nós não temos mão de obra em Nova Bandeirantes...desde algo mais simples ao mais especializado. Temos falta de motoristas, operadores de máquinas, pá carregadeira e máquinas de corte como por exemplo, sendo uma mão de obra escassa no município”, relatou.
Na ótica executivo a falta de divulgação do município também é algo que atrapalha bastante.
“Nós precisamos de uma divulgação pois muitas pessoas não querem vir para cá, pois as pessoas estão assustadas com a região achando que aqui ainda só exista mato e onça ainda”, destacou.
Outro detalhe lembrado pelo entrevistado é a falta de estrutura do município.
“As pessoas tem muito medo de vir para cá devido a falta de um hospital, ou não por não ter um atendimento adequado no sistema de educação... então isso acaba gerando um certo receio de vir para Nova Bandeirantes”, comentou o gerente.
O gerente da K2 aproveitou para salientar, que muitas pessoas moradoras em cidades mais estruturadas como Sinop ou Alta Floresta, acabam optando em ganhar um pouco menos do que arriscar em vir para cá devido a falta de estrutura do município.
Deficiências apontadas
Mesmo com a chegada do asfalto o município de Nova Bandeirantes carece de muitas necessidades, o executivo do setor madeireiro fez algumas menções.
“Era um sonho para o município nós conseguirmos o asfalto e ele chegou, representando um grande avanço. Mas ainda falta muito... como hospital, uma agência do Banco do Brasil, falta uma comarca... porque se você analisar... Nova Bandeirantes é o único município da região que não é comarca”, ressaltou.
Carlos destacou ainda muitas questões que envolvem negócios é preciso recorrer para Nova Monte Verde, principalmente serviços bancários e de cartório, onde é possível encontrar um grande volume de pessoas de Nova Bandeirantes fazendo da agência do Banco do Brasil e do Cartório daquela cidade.
Setor Madeireiro
No estado de Mato Grosso o setor madeireiro é um dos mais contribui com arrecadação de impostos, sendo a quarta atividade que mais arrecada tributos. Em Nova Bandeirantes a realidade não é muito diferente, sendo um dos principais pilares da economia do município. Outros setores caminham em passos lentos como lembrou Carlos.
“A lavoura está chegando agora com o agronegócio, a questão do comércio e serviços ainda é volume muito pequeno diferentemente de outros municípios. Acredito que o setor madeireiro que engloba todas as serrarias, além do setor de transportes e exploração... todo esse conjunto, acaba sendo o primeiro do município hoje”, comentou.
Outro fator destacado na entrevista é no tocante a geração de empregos, sendo a atividade que mais emprega em Nova Bandeirantes.
“Eu acredito que o setor madeireiro em Nova Bandeirantes, se considerarmos os três setores que atuam na atividade... como exploração florestal que envolve desde o serviço de campo como a prospecção, depois a exploração que executa e depois o transporte dessa madeira para outras regiões do Brasil, eu acredito que possamos empregar em torno de 1.500 pessoas”, acrescentou.
O grande volume de madeira serrada pelas empresas que atuam no segmento, vendendo para outros estados como São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Bahia e Rio Grande do Sul entre outros.
Atualmente São Paulo e Rio de Janeiro são os maiores compradores de madeira serrada do município de Nova Bandeirantes. O setor da Construção Civil e Moveleiro, são os maiores compradores dessa madeira como salientou o gerente da K2.
Razões para Investir em Nova Bandeirantes
Mesmo sendo um município ainda jovem e ainda carente de demandas, Nova Bandeirantes oferece muitas janelas de oportunidades em vagas de emprego, negócios e investimentos.
O gerente da K2 explanou o seu pensamento sobre o município.
“Eu acredito que Nova Bandeirantes é a terra das oportunidades, a questão da infraestrutura que falamos... ela também serve para o lado bom. Por vezes você está em um grande centro como Sinop ou Cuiabá, e você não tem uma grande oportunidade como eu tive aqui. Então... eu agradeço ao município de Nova Bandeirantes, agradeço às pessoas daqui que me receberam muito bem... já estou aqui há mais de 12 anos com a minha família com residência e investindo no município. Eu falo para as pessoas que venham para Nova Bandeirantes, que aqui ainda é a terra das grandes oportunidades para quem tem coragem de trabalhar aqui é o lugar”, finalizou.


