Quinta-feira, 1 de outubro de 2026

Novo canal do Panamá está sendo construído no Brasil com custo de 3,5 bilhões de dólares

NOVO CANAL DO PANAMA

Novo canal do Panamá está sendo construído no Brasil com custo de 3,5 bilhões de dólares
Foto: Arquivo Colíder News
A China está consolidando um novo corredor logístico no continente sul-americano ao integrar dois megaprojetos estratégicos: o porto de Chancay, no Peru, e a ferrovia bioceânica, planejada para cruzar o Brasil. A iniciativa pretende reduzir custos, encurtar o tempo de transporte e oferecer uma alternativa viável ao tradicional Canal do Panamá.

O movimento, segundo análises internacionais, combina objetivos comerciais com interesses geopolíticos mais amplos.

Megaprojetos moldados por ambições comerciais e políticas
De acordo com relatório da consultoria Horizon Advisory, o objetivo chinês não se limita à eficiência operacional. O país busca fortalecer sua presença política e econômica na América do Sul, ampliando rotas comerciais sob sua influência e diversificando caminhos para exportação e importação.

Porto de Chancay transforma o Peru em novo hub sul-americano

Inaugurado em novembro de 2024, o porto de Chancay é considerado a peça central da estratégia. Construído dentro da Nova Rota da Seda (BRI), programa global de infraestrutura liderado por Xi Jinping, o terminal recebeu investimento de US$ 3,5 bilhões.

Com estrutura automatizada, capacidade para receber navios de grande porte e áreas logísticas dedicadas, o porto reposiciona o Peru como um hub de distribuição da costa oeste da América do Sul. A nova rota direta entre Ásia, Andes e Cone Sul reduz a dependência do Canal do Panamá e encurta percursos marítimos.

Ferrovia bioceânica promete integrar Brasil ao novo eixo logístico
A segunda peça do corredor é a ferrovia bioceânica, planejada para ligar regiões do interior brasileiro a portos atlânticos. A linha férrea funcionaria como complemento ao porto peruano, criando um sistema interligado capaz de atravessar o continente.

Com isso, cargas poderiam cruzar a América do Sul por terra até o Atlântico ou Pacífico, aliviando gargalos e oferecendo alternativa a rotas tradicionais que enfrentam custos crescentes e limitações estruturais.

Alternativa ao Panamá ganha força diante de crises recorrentes
O novo corredor surge em um momento de pressão sobre o Canal do Panamá, cuja operação vem sendo afetada por secas históricas e períodos de congestionamento. Segundo especialistas, a alternativa impulsionada pela China pode reduzir tempo e custos de navegação, além de aumentar a resiliência logística global.

A Horizon Advisory destaca, porém, que o controle chinês sobre financiamento e operação pode levar exportadores sul-americanos a dependerem de condições alinhadas aos interesses de Beijing.

Estados Unidos acompanham expansão chinesa com preocupação
O avanço da China no continente tem provocado reações em Washington. Em comunicado, um porta-voz do Departamento de Estado afirmou que os Estados Unidos esperam que os países latino-americanos preservem sua soberania sobre infraestrutura crítica e evitem compromissos que possam causar prejuízos econômicos no longo prazo.

O governo norte-americano também reforçou que pretende apoiar decisões bem-informadas sobre parcerias com a China em todo o Hemisfério Ocidental.

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