Pesquisadores da Universidade de Kent, na Inglaterra, criaram um material de absorção de impacto capaz de parar projéteis viajando acima da velocidade do som. O estudo foi divulgado no fim de novembro, e detalha como essa nova tecnologia poderia ter aplicações variadas, desde forças armadas até o uso em veículos aeroespaciais.
O material é produzido com base em uma proteína chamada de “talina” — encontrada em uma grande variedade de seres vivos, inclusive humanos. Essa molécula é tratada como um “amortecedor natural das células” pelo professor de bioquímica Ben Goult, e conforme observado em testes, sua capacidade de absorver choques é efetiva.
Os cientistas elaboraram um material polimerizado chamado de Talin Shock Absorbing Material (TSAM, ou “Material para Absorção de Impacto de Talina”, em tradução literal), que combinou a proteína e outras substâncias para garantir que a talina mantivesse suas propriedades resistentes mesmo fora de um ser vivo.
Para os testes, a equipe utilizou diferentes materiais para colidir com o TSAM, incluindo partículas de rocha basalto com a espessura de um fio de cabelo e estilhaços de alumínio que viajavam na incrível velocidade de 1,5 quilômetro por segundo, isto é, mais de 5,3 mil km/h. A força do impacto desses materiais foi absorvida com sucesso.
A talina possui uma estrutura que se desdobra quando é exposta a um impacto e, então, volta ao seu formato original rapidamente sem destruir o projétil, permitindo que seja reutilizada.
“Estamos muito entusiasmados com as potenciais possibilidades do TSAM para resolver problemas do mundo real”, comentou a professora de química supramolecular Jennifer Hiscock. “Isso é algo que estamos realizando ativamente pesquisas com o apoio de novos colaboradores nos setores de defesa e aeroespacial.”
Fonte: Fernando Meliani l Tudo Celular


