Sexta-feira, 2 de outubro de 2026

'O grande ponto que faltou foi comprovar', afirma veterinário sobre decisão da UE

Ricardo Jordão, do Instituto Biológico, avalia que Brasil precisa melhorar comprovação de uso de antimicrobianos e rastreabilidade para atender exigências da União Europeia

'O grande ponto que faltou foi comprovar', afirma veterinário sobre decisão da UE
Foto: Arquivo Colíder News
O embargo da União Europeia à proteína animal brasileira e a exigência de maior controle sobre o uso de antimicrobianos reacenderam o debate sobre rastreabilidade e comprovação de práticas na pecuária nacional.

Em meio à mobilização de entidades do setor, o médico-veterinário do Instituto Biológico de São Paulo (IB), Ricardo Jordão, avaliou que o principal desafio do Brasil não está na tecnologia, mas na capacidade de demonstrar o que é feito dentro da porteira.

“O grande ponto que faltou foi comprovar. Tem muita coisa aplicada, mas eu acho que foi um entendimento e, tirando o lado comercial e econômico, falando só da parte técnica, a gente consegue tranquilamente”, afirmou ele, em entrevista ao Rural Notícias desta sexta-feira (12).

Segundo Jordão, o Brasil não enfrenta um problema sanitário, mas documental. Ele destacou que o país utiliza apenas produtos permitidos, porém ainda tem dificuldade em comprovar de forma estruturada o uso diário dessas substâncias.

País tem rastreabilidade, mas precisa melhorar
Ele reforça que a rastreabilidade é essencial diante do tamanho do país e da complexidade da cadeia produtiva. Para ele, o sistema brasileiro de identificação de origem do rebanho precisa evoluir para incluir mais informações.

“O Brasil tem o Sisbov, que é um sistema justamente para isso. Só que eles não querem saber só para onde o animal foi e de onde ele veio. Eles querem mais informações: o que foi usado, quanto foi usado, por quanto tempo”, explicou.

Sobre a exigência europeia, Jordão lembrou que a preocupação está ligada à segurança alimentar e ao uso de antimicrobianos, destacando que algumas classes não devem ser utilizadas na produção animal por risco de resíduos na carne.

Ele também defendeu o avanço do receituário veterinário como ferramenta de controle, em modelo semelhante ao da medicina humana, para garantir rastreabilidade e uso adequado de medicamentos.

“Essa retenção de receita veterinária ajuda muito. É justamente isso que a União Europeia quer saber da gente: se a gente está usando os que são permitidos”, disse.

Apesar do prazo imposto pela UE, o veterinário avalia que o Brasil pode avançar em ajustes regulatórios e de controle, mesmo que mudanças mais estruturais, como a aprovação de leis, levem mais tempo para serem implementadas.
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