Domingo, 4 de outubro de 2026

Pesquisadores da UFMT encontram nova espécie de sagui

Mico schneideri habita o região das bacias do Juruena e Teles-Pires

Pesquisadores da UFMT encontram nova espécie de sagui
Foto: ReproduçãoFoto: Arquivo Colíder News

De pelo branco na cabeça, manto cinza, mãos entre preto e dourado e rabo totalmente preto, o Mico schneideri é uma nova espécie sagui da Amazônia, descrita por um grupo de pesquisa multinacional, que inclui a Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). O ARTIGO
 foi publicado na Scientific Reports, periódico incluído no portfólio da Nature.


Os saguis do gênero Mico estão entre o grupo mais diverso de macacos encontrados no chamado "arco do desmatamento" da Amazônia e o número total de espécies de sagui na região ainda não está claro. Em 2019, o mesmo grupo descobriu o Mico munduruku em um trecho de floresta no Pará.

O Mico schneideri é a terceira espécie descrita a partir de saguis que foram anteriormente identificados como M. emiliae. Primeiro foi o Mico marcai, em 1993, e depois o Mico rondoni, em 2010. Apesar dessas quatro espécies terem sido confundidas umas com as outras, o estudo demonstra que além de serem morfologicamente distintas , cada uma delas fica em diferentes "interflúvios", regiões mais elevadas de uma bacia hidrográfica, que servem de divisão entre uma bacia e outra. O Mico schneideri fica no interflúvio das bacias do Juruena e Teles-Pires, enquanto o Mico emiliae fica no interflúvio entre as bacias do Tapajós e do Xingu.

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O Mico emiliae foi descrito em 1920, mas ainda carece de estudos, bem como os mais recentes Mico schneideri, marcai e rondoni, principalmente por habitarem regiões ameaçadas pelo desmatamento. Essas lacunas de conhecimento são uma das causas para que hoje ainda não exista um protocolo de conservação que possa combater a perda de habitat dessas espécies.

A nova espécie foi nomeada em homenagem ao professor Horácio Schneider, um pioneiro e grande contribuidor para pesquisas sobre a diversidade e evolução dos macacos.

A publicação é resultado da tese de doutorado de Rodrigo Costa-Araújo, no Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia e da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), com contribuição de diversos outros pesquisadores, entre eles o professor Gustavo Canale, da UFMT.


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