Domingo, 4 de outubro de 2026

PGE diz ao STF que estouro de limite de gastos está administrado pelo Estado

Procuradoria afirma que o TCE já impôs regras para devolver os gastos com pessoal ao limite fiscal nos próximos três anos

PGE diz ao STF que estouro de limite de gastos está administrado pelo Estado
Rep. InternetFoto: Arquivo Colíder News

O governo do Estado diz que a análise da STN (Secretaria do Tesouro Nacional) sobre o estouro das contas públicas, como argumento para refutar a avalização do empréstimo de US$ 250 milhões pela União, tem por base números defasados sobre o orçamento de Mato Grosso.

Segundo a PGE (Procuradoria Geral do Estado), o hoje o Estado já tomou medidas para o saneamento das contas, incluindo o empréstimo com o Banco Mundial, e julgamento do TCE (Tribunal de Contas do Estado) que transfere o imposto de renda (IR) para o grupo de despesas terá efeito modelar, de modificação nos próximos anos.

Como divulgado pelo Circuito Mato Grosso, o Estado se antecipou à decisão da ministra do Supremo Tribunal Federal (STF), Rosa Weber, de apresentar a justificativa da necessidade do empréstimo com o Banco Mundial. O documento foi protocolado nesta sexta-feira (14).

“O Tribunal de Contas de Mato Grosso, ciente dos efeitos deletérios da modificação abrupta de entendimento, modulou os efeitos da decisão que incluiu o imposto de renda retido na fonte e os duodécimos destinados à Defensoria nos limites com despesa de pessoal. A recondução, de acordo com a Corte de Contas, somente será exigível a partir do exercício de 2020, conforme se depreende da certidão expedida pela referida Corte, já acostada aos autos", argumenta a procuradoria na ação.

No início deste mês, a STN protocolou uma liminar na Corte Suprema com o pedido de que a autorização para a União ser avalista de Mato Grosso no empréstimo seja rejeitada. O estouro do limite fiscal do gasto fiscal com folha de salários foi apontado como o motivo da desaprovação.

A procuradoria diz ainda que a Secretaria do Tesouro não está autorizada a avaliar a gestão orçamentária das unidades federativas, atividade que caberia apenas aos Tribunais de Conta, um argumento para dar autoridade à modificação no Estado.

“A Responsabilidade Fiscal não autoriza a União a realizar o controle sobre a metodologia de cálculo e o conteúdo dos limites de despesa com pessoal. Somente atribui ao Ministério da Fazenda a verificação do cumprimento dos limites e condições relativos a operações de crédito. Trata-se de atribuição formal, exercida a partir das informações oriundas dos Tribunais de Contas Estaduais".

O governo de Mato Grosso tenta conseguiu decisão favorável do empréstimo dos US$ 250 milhões para quitar a dívida com o Bank of America. A expectativa é que haja resultado do julgamento pelo STF até o fim deste mês, prazo que não alivia a captação de recurso para quitar a parcela de setembro. No recurso, a PGE diz ainda que o indeferimento do empréstimo causará "danos irreparáveis" no orçamento do Estado.

Mudança fiscal

O estouro vem de resultado do Tribunal de Contas que incluiu o IR como fonte de despesas do Estado, e o limite de gastos com pessoal subiu em quase R$ 10 milhões, conforme a Sefaz (Secretaria de Estado de Fazenda). A decisão que modificou a distribuição é do fim do ano passado da conselheira Jacqueline Jacobsen.

Para modular a nova dívida, o TCE determinou que Estados e Municípios, em 2019, não promovam medidas que aumentem as despesas com pessoal. Em 2020, devem reduzir, no mínimo, 25% do eventual excedente da despesa total com pessoal; e nos dois anos seguintes o percentual deve subir mais 35% e 40% respectivamente, para a volta do percentual aos 49% da LRF (Lei de Responsabilidade Fiscal).

Leia mais

Esta informação foi útil?Compartilhe com seus contatos.
22ª Festa do Carneiro
Publicidade 22ª Festa do Carneiro Conhecer parceiro