O cânhamo, planta da variedade Cannabis sativa com menos de 0,3% de THC (sem efeito psicoativo), pode gerar um retorno líquido até 11 vezes maior que o da soja, conforme estudo da empresa de inteligência Kaya Mind.
De acordo com o levantamento, no cultivo para flores (CBD), o retorno chega a R$ 23.306,80 por hectare, enquanto a oleaginosa entrega R$ 2.053,34 por hectare na media Brasil e o milho R$ 3.398,34 por hectare.
A Kaya Mind reforça que a produção do cânhamo pode ser integrada aos sistemas já existentes, desde que o produtor utilize maquinário adaptável e promova rotacao de culturas e recuperação do solo.
"Alem da lucratividade, o cânhamo também se destaca pela capacidade de gerar empregos no campo. Na Colômbia, estima-se a criação de 17,3 empregos por hectare cultivado, reforçando o potencial da cultura como ferramenta de desenvolvimento rural e diversificaçao da produção agrícola", diz a empresa, em nota.
Em março deste ano, durante audiência publica organizada pela Frente Parlamentar da Cannabis Medicinal e do Canhamo Industrial, a pesquisadora Daniela Bittencourt, da Embrapa Recursos Geneticos e Biotecnologia, ressaltou que o canhamo pode ser usado em mais de 25 mil produtos - de fibras têxteis a bioplásticos, cosméticos e materiais de construção.
Atualmente, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) trabalha para atender à decisão
do Superior Tribunal de Justica (STJ), que reconheceu o direito de importar sementes da planta, bem como de semear, cultivar e comercializar o canhamo industrial para fins medicinais e farmacêuticos.
Segundo o diretor-relator do tema, Thiago Campos, a discussao sobre o limite percentual de THCe um dos pontos centrais que devem ser analisados no processo regulatorio, de forma que nao se torne um obstaculo à pesquisa e ao desenvolvimento de novos medicamentos.


