Terça-feira, 18 de agosto de 2026

PM nega ter ajudado feminicida em fuga após ligação de 8 minutos: "A intenção era prender"

Namorado matou Ana Cristina, no sábado (15), dentro de uma kitnet na frente do filho de 3 anos, no bairro Alvorada, em Cuiabá

PM nega ter ajudado feminicida em fuga após ligação de 8 minutos: "A intenção era prender"

O subtenente Joarez Candido Silva, do 9º Batalhão da Polícia Militar, é suspeito de ter colaborado com a fuga de Fabiano Oliveira Borges, conhecido como “Pepi”, investigado pela morte de Ana Cristina Pacheco Matos, de 20 anos. O policial prestou depoimento nesta segunda-feira (17) à Delegacia Especializada de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP), em Cuiabá, e negou ter ajudado Fabiano.

Ana Cristina foi encontrada morta com um tiro na nuca no último sábado (15), dentro da kitnet onde morava, no bairro Alvorada. Fabiano, apontado como autor do feminicídio, ainda não foi localizado. Ele é proprietário da PepiCell Assistência Técnica, estabelecimento situado no mesmo bairro e que também era usado como moradia.

A investigação identificou uma mensagem enviada pelo policial a Fabiano no WhatsApp, que estava aberta em um computador encontrado no estabelecimento. Além disso, consta uma ligação de aproximadamente oito minutos feita pelo suspeito ao telefone de Joarez. Segundo o subtenente, porém, o contato ocorreu com a intenção de conseguir a prisão de Fabiano.

"O fato de eu ter o contato dele aqui, de eu ter consertado o meu celular, não significa que eu tenha oferecido algum benefício, alguma vantagem para ele. A intenção era prender o Fabiano, mas como ele negou se entregar não foi possível", disse o PM aos jornalistas.

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O policial afirmou que possuía o número do investigado porque ele era responsável por consertar seu celular. Joarez também declarou que não ofereceu qualquer vantagem ao suspeito e que aguardava uma oportunidade para comunicar o caso aos superiores.

De acordo com o subtenente, essa oportunidade seria o momento em que Fabiano manifestasse intenção de se entregar. Ele afirmou que, caso o suspeito dissesse que pretendia se apresentar, acionaria imediatamente as autoridades para fazer a condução.

Joarez está de licença do serviço e confirmou que não havia comunicado aos superiores sobre o contato mantido com Fabiano. Durante o depoimento, explicou que considerava ter autonomia para conduzir determinadas situações e posteriormente reportá-las ao comandante.

Ainda nesta segunda-feira, a Polícia Civil cumpriu um mandado de busca e apreensão na PepiCell. Os investigadores encontraram o estabelecimento arrombado e com objetos revirados. A determinação judicial previa a apreensão de equipamentos eletrônicos, incluindo computadores e celulares, mas nenhum aparelho foi localizado no imóvel.

Em nota, a Polícia Militar informou que não procede a informação de que o policial foi detido por envolvimento na fuga do suspeito. (leia a nota na íntegra no final da matéria)

O caso

Ana Cristina foi morta pelo então namorado Fabiano no sábado (15), no bairro Alvorada, em Cuiabá. 

Conforme relatos obtidos pelos investigadores, o suspeito teria chegado à residência por volta das 5h. Ele teria efetuado o disparo contra a jovem e, em seguida trancou a porta da kitnet e fugiu. 

Ana Cristina e o suspeito estariam tentando reatar o relacionamento e tinham um filho de 3 anos, que presenciou o crime. Ao escutar os tiros, um dos vizinhos ligou para o ex-namorado de Ana Cristina e ele encontrou a criança e a mãe toda ensanguentada.

Leia a nota na íntegra:

A Polícia Militar de Mato Grosso esclarece que não procede a informação de que um policial foi detido por envolvimento na fuga do suspeito de um feminicídio ocorrido em Cuiabá, no sábado (15).

O militar prestou depoimento na Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), expontaneamente, nesta segunda-feira (17), e contou que tentou contato com o criminoso para intermediar a prisão, contribuindo com mais informações sobre o suspeito.

A Polícia Militar informa ainda que trabalha na captura do foragido e que o caso segue em investigação pela Polícia Civil.

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