O inchaço abdominal frequente costuma ser tratado com dietas restritivas, especialmente com a eliminação de carboidratos, mas o principal hábito capaz de aliviar o desconforto na maioria dos casos é bem mais simples: comer devagar e mastigar bem os alimentos. Segundo a Federação Brasileira de Gastroenterologia, essa prática reduz a aerofagia (ato de engolir ar durante as refeições) e melhora significativamente a digestão, diminuindo gases, sensação de peso e distensão da barriga sem exigir cortes drásticos na alimentação.
Por que comer devagar reduz o inchaço abdominal?
Quando a alimentação é feita de forma apressada, o cérebro leva cerca de 20 minutos para receber os sinais de saciedade, o que favorece o excesso alimentar e a fermentação intestinal. Além disso, mastigar rápido faz com que grandes quantidades de ar sejam engolidas junto com a comida, gerando gases e distensão visível do abdômen.
Comer devagar permite que as enzimas salivares iniciem a digestão dos carboidratos ainda na boca, aliviando o trabalho do estômago e do intestino. Isso reduz a sensação de estufamento e ajuda a controlar a produção excessiva de gases, uma das principais causas de barriga inchada.
Como a mastigação adequada melhora a digestão?
Mastigar de 20 a 30 vezes cada garfada quebra os alimentos em partículas menores, facilitando o contato com o suco gástrico e as enzimas digestivas. Isso reduz o volume de resíduos que chegam ao intestino grosso e diminui a fermentação bacteriana responsável pelos gases.
Além disso, a mastigação prolongada estimula a produção de saliva, que já contém amilase, uma enzima que começa a digerir o amido presente em pães, arroz, massas e outros carboidratos. Assim, é possível manter esses alimentos na rotina sem sofrer com desconfortos abdominais.
O que a ciência mostra sobre mastigar bem e a saúde digestiva?
A relação entre mastigação e função digestiva já foi analisada em revisões sistemáticas rigorosas. Segundo a revisão sistemática Chewing and its influence on swallowing, gastrointestinal and nutrition-related factors: a systematic review, publicada na revista Critical Reviews in Food Science and Nutrition e indexada no PubMed, a mastigação adequada contribui de forma mecânica e fisiológica para o processo digestivo, influenciando a passagem do alimento pelo trato gastrointestinal e a absorção de nutrientes.
Os autores destacam que a mastigação insuficiente pode favorecer distensão, desconforto abdominal e alterações no esvaziamento gástrico, reforçando por que ajustar o ritmo das refeições é uma das estratégias mais acessíveis para melhorar a digestão.
Como aplicar esse hábito no dia a dia sem cortar carboidratos?
A boa notícia é que reduzir o inchaço abdominal não exige eliminar pães, arroz, massas ou frutas da rotina. Pequenas mudanças na forma de comer já produzem resultados perceptíveis em poucos dias. Confira as principais estratégias práticas:
Pouse o talher sobre o prato entre uma garfada e outra, retomando somente após engolir
Faça refeições com duração mínima de 20 minutos, tempo necessário para o sinal de saciedade chegar ao cérebro
Mastigue cada porção de 20 a 30 vezes antes de engolir, especialmente carboidratos ricos em amido
Sente-se à mesa em ambiente tranquilo, sem celular, televisão ou computador competindo pela atenção
Evite conversar com a boca cheia, hábito que aumenta a quantidade de ar engolido
Não use canudos e reduza refrigerantes durante as refeições, pois ambos favorecem a aerofagia
Beba pequenos goles de água ao longo da refeição, evitando grandes volumes de uma só vez
Com o passar das semanas, esse ritmo mais lento se torna natural e os episódios de gases intestinais tendem a diminuir de forma consistente, sem necessidade de restrições alimentares severas.
Quando o inchaço abdominal exige avaliação médica?
Embora comer devagar resolva boa parte dos casos, o inchaço persistente pode indicar condições que precisam de investigação, como intolerâncias alimentares, síndrome do intestino irritável, doença celíaca ou disbiose intestinal. Alguns sinais merecem atenção especial:
Distensão que não melhora com mudanças na forma de comer, após algumas semanas de tentativa
Dor abdominal intensa, contínua ou que piora progressivamente
Alterações no hábito intestinal, como diarreia, constipação ou fezes com sangue
Perda de peso involuntária ou falta de apetite recorrente
Náuseas, vômitos ou febre associados ao inchaço
Histórico familiar de doença celíaca, câncer digestivo ou doenças inflamatórias intestinais
Se o desconforto se repete com frequência e compromete a qualidade de vida, o ideal é procurar um gastroenterologista para avaliação individualizada, exames complementares e definição do tratamento mais adequado, além do apoio de um nutricionista para investigar possíveis sintomas de intolerância alimentar.
Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento realizado por um profissional de saúde qualificado.
Fonte: Gessika Julia Carvalho l Tua Saúde


