Os servidores do Judiciário de Mato Grosso decidiram nessa quinta-feira (16.10) paralisar as atividades por 24 horas no dia 23 de outubro. A mobilização é uma resposta à não aprovação do aumento salarial de 6,8% pela Assembleia Legislativa do Estado (ALMT).
A categoria também estuda a possibilidade de sugerir ao presidente do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), José Zuquim Nogueira, a solicitação de intervenção federal, argumentando que a atuação do Legislativo, em conjunto com o governador Mauro Mendes (União), estaria interferindo na independência dos Poderes ao tentar barrar o reajuste.
Na última quarta-feira (15), a ALMT não analisou o projeto de aumento após pedido de vistas do vice-líder do Governo, deputado Beto Dois a Um (PSB). Durante a sessão, ele foi vaiado por servidores e chamado de “canalha e mentiroso” por representantes da categoria que ocupavam as galerias. A expectativa era que o reajuste fosse incluído já na folha de pagamento de outubro, que é quitada no último dia útil do mês.
O presidente da ALMT, Max Russi (PSB), havia prometido à categoria que colocaria o projeto em pauta, reafirmando apoio à demanda.
Em entrevista ao , o presidente do Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário (SINJUSMAT), Rosenwal Rodrigues dos Santos, afirmou que a base do governo na Assembleia trabalhou para impedir a aprovação, alegando risco de “efeito cascata” em outras categorias e impacto financeiro para o Estado.
“É vergonhoso e inadmissível que a Assembleia e o Governo tentem decidir sobre o dinheiro do TJMT. O reajuste é de responsabilidade do Tribunal, não do Governo. Isso é uma clara interferência na independência dos Poderes, garantida pela Constituição. Estamos avaliando solicitar intervenção federal”, declarou Rosenwal.
Outro ponto criticado pela categoria foi o pedido de vistas do projeto por Beto Dois a Um, que havia sido relator do projeto na Comissão de Trabalho e Administração Pública da ALMT e apresentado parecer favorável à aprovação.
“Um deputado que foi relator favorável e depois pediu vistas no plenário menosprezou os servidores do Judiciário. Por isso, decidimos não participar mais da votação e realizar paralisação no dia 23, além de estudar a possibilidade de intervenção. Assembleia e governo não podem desrespeitar a independência dos Poderes”, finalizou o sindicalista.


