Domingo, 4 de outubro de 2026

Submarino desaparece sem deixar vestígios após descobrir estruturas desconhecidas

Antes do desaparecimento, Ran retornou dados inovadores, incluindo mapas de alta resolução de estruturas desconhecidas de gelo sob o oceano Antártico.

Submarino desaparece sem deixar vestígios após descobrir estruturas desconhecidas
Foto: Arquivo Colíder News
Início de 2024, um submarino autônomo chamado Ran desapareceu na plataforma de Dotson, na Antártica Ocidental.


Desenvolvido por uma equipe da International Thwaites Glacier Collaboration (ITGC), o veículo foi lançado em 2022 com o objetivo de explorar áreas submersas até então inéditas.

Antes do desaparecimento, Ran retornou dados inovadores, incluindo mapas de alta resolução de estruturas desconhecidas de gelo sob o oceano Antártico.

Ran percorreu mais de 16 quilômetros de cavernas sob a plataforma, revelando plataformas de gelo e padrões de erosão complexos que desafiaram o entendimento científico até então.

Essas descobertas levantaram dúvidas sobre as teorias existentes do derretimento do gelo, mostrando que modelos contemporâneos não conseguem explicar completamente as estruturas observadas.

Como o submarino Ran transformou a pesquisa antártica?
A missão do ITGC era usar o Ran para investigar os mecanismos de derretimento glacial, focando em correntes subaquáticas.

O desenvolvimento de um mapa topográfico da região foi um dos objetivos primários. Interessantemente, os dados revelaram que a porção oriental da plataforma de gelo era mais espessa e derretia a uma taxa mais lenta que a porção ocidental, provavelmente devido à influência variada das águas da bacia circumpolar profunda.

O impacto das águas profundas circumpolares no derretimento do gelo
As águas circumpolares profundas, uma combinação das águas líquidas dos oceanos Pacífico e Índico, têm uma influência discrepante sobre a base do gelo da plataforma.

As diferenças nas taxas de derretimento podem estar conectadas à temperatura mais elevada e turbulência dessas águas, erodindo a parte ocidental da plataforma mais rapidamente do que a oriental.

Qual o futuro das pesquisas com submarinos na Antártica?
Mesmo com a perda de Ran, a pesquisa trouxe perspectivas valiosas sobre a complexidade das estruturas subterrâneas e a necessidade urgente de avançar no entendimento das dinâmicas de derretimento de gelo.

Os dados publicados na revista Science sugerem um cenário de derretimento mais complicado do que o previsto, indicando que muitas suposições anteriores precisam ser reavaliadas.

O desafio contínuo da exploração antártica submersa
Operar em condições ambientais tão extremas significa que conectar-se em tempo real com veículos como Ran é inviável. A navegação e a coleta de dados são tarefas árduas, muitas vezes feitas às cegas.

Durante 2022, Ran realizou 14 missões, mas em 2024, em sua primeira missão após a retomada dos estudos, o veículo sumiu sem deixar rastros. Teorias sobre seu desaparecimento incluem avarias mecânicas ou ataques biológicos.

Apesar dos riscos, Anna Wallin, cientista responsável pelo estudo e professora de física oceânica, destaca o papel fundamental do Ran em fornecer dados cruciais.

“Embora existam desafios, a pesquisa sobre camadas de gelo antárticas é crítica para prever mudanças futuras, e substituir o Ran é essencial para continuar este trabalho importante”, acrescenta.

Fonte: O Antagonista
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