Quarta-feira, 30 de setembro de 2026

Tecnologia faz dente 'nascer' em horas e dá fim a espera por próteses.

Tecnologia CAD/CAM permite fabricação de próteses dentárias em poucas horas.

Tecnologia faz dente 'nascer' em horas e dá fim a espera por próteses.
Foto: Arquivo Colíder News
Esperar dias com um provisório desconfortável até a coroa ficar pronta no laboratório já não é mais regra para quem precisa reabilitar o sorriso. No consultório do cirurgião-dentista Dr. Alberto Youssef, a tecnologia CAD/CAM permite que muitas soluções em porcelana, como coroas, lentes de contato dental e próteses sobre implante, sejam planejadas e produzidas em poucas horas, no mesmo lugar.

Na prática, o que o paciente vê é o dente "nascer" ali, na frente dele.

Antigamente a gente moldava, mandava para o laboratório, o paciente voltava dias depois e, às vezes, ainda precisava ajustar porque algo incomodava. Hoje, eu escaneio a boca, desenho o dente no computador e o sistema já envia o projeto para a fresadora, que esculpe o bloco de porcelana na hora", explica Alberto.

O sistema CAD/CAM une duas etapas:

· CAD (Computer Aided Design) - o desenho digital do dente no computador, a partir do escaneamento da boca;

· CAM (Computer Aided Manufacturing) - a fabricação desse dente em uma máquina que faz o recorte preciso da porcelana.

O resultado e mais previsibilidade, menos idas ao consultorio e um sorriso pronto em muito menos tempo.

Um dos maiores medos de quem quebra um dente, seja em acidente, queda ou até jogando tênis, é ficar "banguela" até resolver o problema. Com o CAD/CAM, muitos desses casos são solucionados em uma única sessão.

Nos casos em que e necessario extrair o dente e colocar implante, o tempo depende das condições ósseas e de exames complementares, mas o planejamento também é feito de forma digital, o que torna o processo mais seguro e previsível.

O perfil mais comum no consultório de Alberto são pessoas a partir dos 40 anos, que usam próteses antigas, próteses móveis ou têm dentes muito restaurados e desgastados. Em muitos casos, a tecnologia digital devolve conforto e autoestima.

Tem paciente que passou a vida toda tirando protese para dormir, convivendo com desconforto e constrangimento. Quando a gente reabilita com protese fixa ou implante bem planejado, muda rotina, alimentação, até a forma de se relacionar com as pessoas", conta.

Pacientes com trauma, como acidentes que resultaram em perda dentária, também se beneficiam. Mas Alberto reforça que cada caso é avaliado com cuidado, com exames de imagem e planejamento criterioso antes de qualquer cirurgia.

O mesmo sistema digital usado para coroas e próteses também é aplicado nas lentes de contato dental, usadas para corrigir forma, pequenas falhas e harmonizar o sorriso. A diferença é a filosofia de trabalho do dentista.

"Eu não gosto de surpresa. A gente desenha, mostra para o paciente como vai ficar e só segue se ele se enxergar naquele sorriso", explica.

Ele conta que recusa procedimentos quando percebe que não há necessidade real. "Tem muita menina de 20 e poucos anos, com dentes lindos, querendo lente só porque viu na internet. Às vezes, um bom clareamento resolve. Eu deixo de ganhar, mas fico em paz. Não
sou dentista de Instagram, sou dentista do que o paciente realmente precisa."

Menos medo, mais planejamento

O medo da dor e da "rejeição" ainda afasta muita gente do consultório odontológico, principalmente quando o assunto é implante. Para Alberto, isso é mais mito do que realidade, especialmente na era digital.

"Implante hoje é previsível. A gente perde mais tempo planejando do que operando. A cirurgia muitas vezes leva 20 minutos; o planejamento leva dias. Quando você sabe exatamente onde e como vai colocar, a chance de problema diminui muito", afirma.

Segundo ele, a tecnologia ajuda a tornar o processo mais confortável: menos sessões, menos tentativa e erro e mais segurança em cada etapa.

Formado em Odontologia ha 21 anos, Alberto viu praticamente tudo mudar na profissão desde que se formou. "Nada do que eu fazia no começo eu faço igual hoje. A odontologia

A afinidade com tecnologia o levou a investir cedo no CAD/CAM. O primeiro equipamento foi adquirido em 2015, e de lá para cá, ele mantém uma rotina constante de atualização. "Eu gosto de estudar, viajo muito para cursos. Em um dos últimos, nos Estados Unidos, o que era apresentado como novidade a gente já fazia aqui", lembra.

Além da atuação clínica, o dentista é professor na pós-graduação da ABO, em curso de reabilitação oral com foco em prótese e implantes. "Se você tem condições de ensinar, é porque estuda muito. E isso acaba voltando em forma de qualidade para o paciente", avalia.

Com a rotina corrida e o tempo cada vez mais curto, a combinação "menos sessões + mais precisão" pesa na escolha do paciente. A tecnologia ajuda, mas não substitui o olho clínico e a conversa.

"Todo mundo está com pressa. Se eu consigo resolver em uma sessão em vez de três, melhor para o paciente. Mas não é só rapidez; é fazer direito, com planejamento. Não empurro nada para ninguém. Atendo pela necessidade real, não pelo que está na moda", resume.

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