Incidentes a bordo e extensão da missão
A missão começou em 21 de novembro e estava prevista para terminar em maio. No entanto, a Marinha dos EUA estendeu a missão sem anunciar publicamente uma data de retorno. Aproximadamente 5.000 marinheiros e fuzileiros navais permanecem a bordo enquanto o navio continua a apoiar as operações dos EUA contra o Irã.

Familiares de tripulantes relataram pelo menos dois incidentes em que marinheiros tentaram ou se prepararam para pular ao mar. Annabelle Loma relatou que seu marido tentou fazê-lo durante a missão e permanece sob supervisão médica. Ela explicou que ele vinha sofrendo de exaustão severa antes do incidente.
Em outro caso, o marido de Maria Rodriguez, que estava de serviço, viu um colega marinheiro se preparando para pular. O marinheiro interveio antes que ele chegasse à borda e, com a ajuda de outros três tripulantes, conseguiu puxá-lo de volta ao convés. A Marinha não informou quantos marinheiros tentaram pular ao mar ou sofreram automutilação durante a missão.
A situação também foi relatada pelo Stars and Stripes, que noticiou um incidente comunicado à tripulação por meio de um anúncio geral a bordo. Além disso, mais de 200 familiares participaram de uma reunião em San Diego com o Secretário Interino da Marinha, Hung Cao. Durante outra reunião virtual, os familiares expressaram preocupações sobre saúde mental, exaustão e segurança.

Preocupação entre as famílias
O vice-almirante Joseph Cahill, comandante das Forças Navais de Superfície, reconheceu durante a reunião virtual o impacto do destacamento nos marinheiros e suas famílias. “Ouvimos atentamente as preocupações deles [sobre] o impacto que isso tem nas famílias, nos militares e na capacidade de longo prazo de manter nossas forças e preservar sua saúde”, afirmou Cahill, segundo o MS NOW.
A Marinha observou que o USS Abraham Lincoln conta com conselheiros de resiliência para destacamentos, capelães, profissionais médicos e outros serviços de apoio. Também indicou que os oficiais a bordo avaliam continuamente o preparo psicológico dos marinheiros. Entre as ferramentas disponíveis estão os Conselhos de Fatores Humanos, projetados para analisar as condições que podem afetar o bem-estar da tripulação.
A duração da missão também afeta a comunicação entre os marinheiros e suas famílias. Shelby Sanders, cuja mãe serve a bordo, explicou que o contato tem sido esporádico nos últimos oito meses. “Quando ela consegue me mandar um e-mail, ela está bem”, disse Sanders, que também não sabe se sua mãe voltará antes de eventos familiares como seu aniversário ou Natal.

Manuel Guevara, pai de um marinheiro do USS Abraham Lincoln, também expressou preocupação com o bem-estar do filho. “Estar lá mantém as guerras fora do nosso país, mas é difícil ter a família longe”, disse ele. Guevara acrescentou que a incerteza em torno do retorno deles está começando a afetar as famílias, já que Loma continua cuidando de seus três filhos e seu marido permanece sob supervisão médica.
A Marinha dos EUA está preparando o grupo de ataque do porta-aviões USS Theodore Roosevelt para substituir o USS Abraham Lincoln, informou Cao durante a reunião com os familiares. No entanto, as autoridades ainda não definiram uma data para a substituição devido a preocupações com a segurança operacional. Enquanto isso, o USS Abraham Lincoln permanece em missão no Oriente Médio, onde seu grupo aéreo embarcado inclui F-35Cs, F/A-18s, EA-18Gs, E-2Ds, MH-60s e CMV-22B Ospreys.
*As imagens do USS Abraham Lincoln são meramente ilustrativas.

