Segunda-feira, 5 de outubro de 2026

MPE pede cassação de Janaina e quebra de sigilo de 12 pessoas

Além da perda do mandato, foi requerida ainda a condenação por má-fé em razão do inadequado comportamento processual no curso do processo.

MPE pede cassação de Janaina e quebra de sigilo de 12 pessoas
Rep. Nortão NoticiasFoto: Arquivo Colíder News
A Procuradoria Regional Eleitoral (PRE) em Mato Grosso pediu ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE) a cassação da diplomação da deputada Estadual Janaina Riva (MDB), motivada pela omissão de despesas e receitas de campanha.

A Procuradora observa que a omissão pode estar na contratação de prestadores de serviços como, em especial, pela omissão de declaração das receitas dos serviços estimáveis em dinheiro que lhe foram doados. "Assim, acaso tais valores fossem declarados, o limite estipulado de gastos para o cargo seria ultrapassado", cita o Ministério Público Eleitoral (MPE).

Além da perda do mandato, foi requerida ainda a condenação por má-fé em razão do inadequado comportamento processual no curso do processo.

Também foi pedido a quebra de sigilo bancário de 12 pessoas que participaram diretamente da campanha de reeleição da deputada estadual, mas não tiveram seus nomes declarados na prestação de contas, a exemplo de dois prestadores de serviço que, além de utilizarem veículo e combustível do comitê eleitoral, atuavam na recepção e distribuição de materiais de campanha na cidade de Colíder.

Na inicial do processo, a PRE já havia solicitada a quebra de sigilo bancário, que foi negada pela Justiça Eleitoral. “Desta feita, a quebra de sigilo bancário mostra-se perfeitamente necessária e adequada, além de contar com previsão específica no artigo 72, § 5º, da Resolução TSE nº 23.553/2017. (…) Afinal, sem a documentação almejada decorrente da quebra de sigilo bancário, houve prejuízos à inquirição das testemunhas pelo Ministério Público, enfraquecendo a prova oral pela incompletude dos questionamento e dados, e, ainda mais grave, impediu conhecer circunstância essenciais às irregularidades objeto desta demanda”, enfatiza a PRE.

De acordo com a Procuradoria, diversos prestadores de serviços deixaram de ser declarados nas contas de campanha da parlamentar. "Com o registro dos serviços efetivamente prestados, constatou-se o excesso do limite de receitas e gastos de campanha. Em sua defesa, a deputada alegou que as omissões indicadas pela Procuradoria tratam-se de serviços gratuitos prestados por simpatizantes e apoiadores em valores estimados inferiores a mil UFIRs, os quais não seriam passíveis de escrituração contábil", cita a assessoria da PRE.

Acontece que a soma de todas as despesas e/ou receitas omitidas aos valores declarados excedem o limite de gastos de R$ 1 milhão, fixado pelo artigo 6º, inciso II, da Resolução TSE nº 23.553/2017. "(...) mesmo buscando-se adotar parâmetros cautelosos para tais estimativas, ainda assim, tem-se suficiente gravidade no conjunto dos gastos e arrecadação de recursos de campanha, porquanto, mesmo sem o deferimento do afastamento do sigilo bancário, restou evidenciada a irregularidade material decorrente de omissão de receitas de, no mínimo, R$ 163.398,87 (...) - superando, portanto, o limite de gastos de R$ 1.000.000,00", evidencia nos autos o procurador eleitoral.

Conforme o levantamento feito pela PRE, a irregularidade se refere, principalmente, à omissão de 24 pessoas que teriam atuado ativamente, de modo coordenado, direto e ininterrupto na campanha para reeleição da deputada estadual, que não constaram na contabilidade oficial nem mesmo como voluntários. “São prestadores de serviço que abasteceram veículos locados ou cedidos pela campanha em postos localizados em diversos municípios, com consumos significativos de combustíveis, o que evidencia tratar-se de pessoa de relevo no contexto da campanha, que desempenharam atividades tipicamente de liderança local, tanto que, juntos, visitaram ou percorreram 33 cidades”, ressalta a Procuradoria.

A Procuradoria Regional Eleitoral observa que a própria deputada reconheceu a omissão de serviços prestados por 3 servidoras públicas comissionadas, lotadas em seu gabinete, ao apresentar prestação de contas retificadora intempestiva para tentar sanar a falha. Ainda segundo a denúncia, uma das servidoras teria trabalhado na campanha eleitoral durante o horário de expediente.

"(...) dita servidora estava de licença médica no período de 10 a 14/09/2018. Acontece que soa enigmático - talvez nem tanto - o motivo pelo qual a ‘grave enfermidade’ que, em tese, teria acometido a saúde da sra. (...) por 05 dias consecutivos, impossibilitando-a para o exercício do trabalho, não a impediu de percorrer diversos municípios nos dias 13, 14 e 15/09/2018 para prestar serviços de campanha em companhia da representada", aponta o órgão ministerial.

Ainda com relação a retificação extemporânea realizada pela deputada seria o fato de que cada uma das assessoras teria recebido o valor de R$ 1.500,00 para realizar o trabalho na campanha eleitoral. O valor foi considerado incompatível pela Procuradoria, principalmente ao se verificar as respectivas qualificações e atividades desempenhadas pelas pessoas citadas, considerando ainda que estas tiveram que se afastar de atividades habituais, com remunerações muito superior ao valor estimado da doação, já que foi verificado que uma das assessoras recebe aproximadamente R$ 14 mil de salário, e outra cerca de R$ 7 mil.

“Em síntese, a partir de todas as informações que lograram ter sido identificadas, tornou-se possível aferir um grave quadro de falta de transparência da campanha da representada, financiada em sua maior parte com recursos públicos, com excesso de limite de gastos e ao limite de contratação de cabos eleitorais - muitas vezes, ainda, com verdadeira confusão entre as atividades parlamentares e as atividades de campanha”, destaca a PRE.

“Não obstante, é perfeitamente plausível que nem todos os apoiadores tenham trabalhado voluntariamente, situação esta que implicaria, a par das irregularidades já apontadas no melhor cenário, na ausência de contabilização de receitas arrecadas ou, em outras palavras, ‘caixa dois’”, conlui a acusação.
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