Sábado, 3 de outubro de 2026

Silval afirma que chefe do MPE sabia de extorsões de deputados e nada fez

Ex-governador Silval Barbosa disse em oitiva na CPI do Paletó que buscou ajuda do Ministério Público enquanto era extorquido por deputados, mas Paulo Prado nada fez

Silval afirma que chefe do MPE sabia de extorsões de deputados e nada fez
Foto: Arquivo Colíder News

Ao ser ouvido pela segunda vez na Comissão Parlamentar de Inquérito, a CPI do Paletó na Câmara Municipal de Cuiabá, o ex-governador Silval Barbosa afirmou que o ex-chefe do Ministério Público Estadual, o procurador Paulo Prado, sabia que deputados estaduais estavam lhe extorquindo dinheiro para garantir governabilidade e não atrabalharem o andamento de obras de infraestrutura do programa Mato Grosso Integrado. A declaração foi feita nesta segunda-feira (2).

De acordo com Silval, Prado chegou a recebê-lo em audiência, mas não adotou qualquer providência de modo que ele enquanto governador cedeu à pressão a prometeu pagar uma propina de R$ 600 mil para cada um dos parlamentares.

Os fatos remetem ao período entre 2012 e 2013, o que resultou na gravação de vídeos mostrando depuptados e ex-deputados recebendo maços de dinheiro, dentre eles o hoje prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro (MDB), alvo da CPI no Legislativo Cuiabano.

Durante a oitiva, Silval afirmou que se reuniu com Paulo Prado por duas vezes e relatou que estava sendo presissionado pelos deputados e membros de outra instituição, no caso o Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT), que ameaçavam prejudicar o andameanto de obras de asfastamento no programa MT Integrado.

Em um dos encontros, segundo o ex-governador, foi comentado sobre a possibilidade de gravar os deputados o extorquindo e exigindo pagamento de propina. Porém, na prática isso não foi adiante por parte do Ministério Público.

"Expliquei que não era só a Assembleia, que eram outros, como o Tribunal de Contas", disse Silval em referência aos cinco conselheiros da Corte de Contas que estão afastados desde setembro de 2017 acusados de terem recebido R$ 53 milhões em propina paga por ele.

Por fim, ele aceitou pagar R$ 600 mil para cada deputado dividido em 12 parcelas, conforme combinado com uma comissão formada na Assembleia por alguns deputados. No decorrer os pagamentos, de acordo com o ex-governador, os deputados faziam muita pressão e iam ao gabinete cobrar ele e Silvio Cézar Corrêa Araújo, seu então chefe de gabinete. Por isso decidiram gravar os pagamentos.

Conforme ele, Emanuel Pinheiro não integrou a comissão que combinou as propinas, mas participou do esquema e recebeu. "Ele só pressionava quando atrasava", disse Silval quando questionado pelo vereador Luis Cláudio (PP), líder do prefeito na Câmara sobre o a participação de Emanuel no esquema.

Sobre a denúncia de que Paulo Prado sabia das extorsões, a Câmara de Cuiabá não tem competência para instaurar qualquer investigação. No entanto, o vereador Diego Guimarães (PP) sugeriu que cópia da oitiva seja enviada ao Ministério Público com pedido de informações para saber se houve adoção de alguma providência.

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